Manaus (AM) – Três empresários com contratos milionários junto à Prefeitura de Coari, no interior do Amazonas, foram presos pela Polícia Federal nesta terça-feira (20), no Aeroporto Internacional de Brasília, transportando mais de R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo. A apreensão levantou suspeitas de lavagem de dinheiro e deu início a uma investigação que pode alcançar contratos públicos no estado.
Os detidos foram identificados como Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho. À Polícia Federal, os três alegaram que estavam viajando para o Estado de Goiás para adquirir materiais para suas empresas, que prestam serviços a administrações municipais no Amazonas.
No entanto, segundo a PF, as justificativas apresentadas tinham inconsistências, e a origem do dinheiro ainda não foi explicada de forma convincente.
Contratos em Coari
Um dos presos, Cesar de Jesus, é sócio-administrador da C-J Comércio de Produtos Alimentícios LTDA, empresa com sede em Presidente Figueiredo. A empresa venceu o pregão nº 015/2025 da Prefeitura de Coari, administrada por Adail Filho (PP), e firmou contrato com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa-Coari) para fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).
A ata de registro de preços inclui itens diversos como bolsas, botas de couro, chapéus, capas de chuva, guarda-sóis e até tênis unissex — um perfil de fornecimento amplo, que gerou atenção nas investigações.
Além disso, o CNPJ da empresa registra uma extensa lista de atividades que vão desde fabricação de alimentos, manutenção de embarcações, até instalação de painéis publicitários e comércio de carnes, o que reforça os indícios de irregularidade e desvio de finalidade.
Investigação segue
A Polícia Federal confirmou que irá aprofundar as investigações e não descarta ampliar o rol de crimes apurados. A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Coari em busca de esclarecimentos sobre os vínculos contratuais com os empresários presos, mas ainda não obteve retorno.
O caso pode revelar uma nova frente de apuração sobre contratos suspeitos em municípios do interior do Amazonas, especialmente no contexto de compras públicas e movimentações financeiras sem lastro.
Fonte: Revista Cenarium






