Brasília (DF) – Desde que assumiu a presidência da Câmara dos Deputados, em fevereiro deste ano, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) tem adotado um ritmo mais lento nas votações do plenário, o que vem gerando críticas tanto da base do governo quanto da oposição.
Nas últimas semanas, Motta esteve fora do país em agendas como o fórum com empresários em Nova York e a comitiva presidencial ao Japão e Vietnã. Durante suas ausências, as sessões deliberativas foram suspensas e a pauta legislativa travada. A crítica comum nos bastidores é que o presidente da Casa só coloca em votação temas de consenso.
Com isso, propostas como a anistia aos presos do 8 de janeiro, defendida pelo PL, e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, prometida pelo governo, seguem paradas. A oposição também cobra uma resposta institucional ao STF no caso do deputado Alexandre Ramagem, cuja ação penal foi retomada mesmo após deliberação da Câmara.
Além disso, Motta engavetou o pedido de criação da CPI do INSS, mesmo com o requerimento protocolado desde abril. A justificativa é de que há outros 12 pedidos de CPIs aguardando análise, apesar de nenhuma estar em funcionamento atualmente.
Do lado do governo, o impacto é evidente: das 48 propostas prioritárias listadas pelo Palácio do Planalto, apenas duas avançaram até agora. A que trata da isenção do IR até R$ 5 mil ainda aguarda o início dos trabalhos da comissão especial, instalada, mas sem reuniões até o momento.
A previsão do relator Arthur Lira é entregar o parecer até junho, mas Motta já admite que a votação pode ficar para agosto, após o recesso parlamentar. A dificuldade maior, segundo ele, está em encontrar formas de compensar a perda de arrecadação.
Enquanto isso, tanto o Planalto quanto a oposição acumulam frustrações com a paralisia da Câmara sob a atual presidência.





