A recomendação do Ministério Público Eleitoral (MPE) pela cassação de seis vereadores de Manaus por suposta fraude à cota de gênero nas eleições de 2024 provocou reações imediatas dos parlamentares envolvidos, que negaram qualquer irregularidade e criticaram duramente o que consideram uma tentativa de “reverter nas cortes eleitorais o que não foi conquistado nas urnas”.
O parecer, emitido no último dia 8 de maio pelo promotor eleitoral Alberto Rodrigues do Nascimento Júnior, aponta que os partidos Agir, Democracia Cristã (DC) e a Federação Brasil da Esperança (formada por PT, PCdoB e PV) teriam registrado candidaturas femininas fictícias apenas para cumprir o percentual mínimo de 30% exigido por lei. Segundo o MPE, essas candidatas não teriam feito campanha nem movimentado recursos, o que levantou suspeitas de uso irregular da cota.
Entre os vereadores que podem perder o mandato estão Zé Ricardo (PT), Jaildo Oliveira (PV), Elan Alencar (DC), Dione Carvalho (Agir), João Paulo Janjão (Agir) e Rosinaldo Bual (Agir). Caso o juiz eleitoral acate o parecer e julgue procedentes as ações, os mandatos serão cassados e os suplentes devem assumir: Glória Carrate (PSB), Cearázinho Semisera (PP), Fransuá (PSD), Júnior Resgate (Avante), Caio André (União Brasil) e Delegado Pablo (PL), respectivamente.
O vereador João Paulo Janjão afirmou que o partido Agir “não cometeu qualquer irregularidade eleitoral” e garantiu que os advogados da sigla estão tomando todas as providências legais. “Confiamos plenamente na Justiça e na transparência do processo”, declarou.
Zé Ricardo, por sua vez, demonstrou surpresa com a acusação e se disse injustiçado. “O PT não errou na cota de gênero, a Federação cumpriu certinho. Eu nem era dirigente, nem deveria ser acionado. Mas vamos aguardar a decisão da Justiça. Seria totalmente injusto tirar meu mandato”, afirmou.
O tom mais duro veio do vereador Jaildo Oliveira, que acusou os autores das ações — partidos como PP, PSB e União Brasil — de estarem tentando “ganhar no tapetão” o que não conseguiram nas urnas. “A população já os rejeitou. Eles querem agora ganhar na Justiça. Querem colocar aqui gente que perdeu no voto, como Glória Carrate e outros que não têm mais força”, disparou.
Já Elan Alencar adotou uma postura mais cautelosa, dizendo estar tranquilo e confiante na Justiça. “Fui eleito com 8.600 votos. Vamos exercer o direito à ampla defesa”, afirmou.
Dione Carvalho e Rosinaldo Bual não se manifestaram até o fechamento desta matéria.
A maioria dos vereadores atribuiu as ações a candidatos derrotados nas eleições, reforçando o discurso de que há uma tentativa de usar o Judiciário como atalho para assumir cadeiras na Câmara Municipal. Ainda assim, o parecer do Ministério Público confere peso adicional às denúncias, e agora os processos seguem para julgamento do juiz eleitoral responsável. Se a decisão for favorável à cassação, a Câmara Municipal de Manaus passará por uma das maiores recomposições de sua história recente.
Fonte:Diário da Capital





