Manaus | 4 de junho de 2026 | 07:18:40

Novo Papa Leão XIV já foi acusado de acobertar abusos sexuais entre 2015 e 2020 no Peru

A eleição do cardeal norte-americano Robert Francis Prevost como o novo Papa, sob o nome de Leão XIV, reacendeu a pressão global por mais transparência e responsabilização dentro da Igreja Católica. A escolha do conclave, anunciada em 9 de maio de 2025, foi cercada de reações contraditórias: enquanto setores conservadores celebraram a eleição do primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, grupos de vítimas de abuso e ativistas de direitos humanos demonstraram profunda preocupação.

O motivo da polêmica está no histórico do então bispo de Chiclayo, no norte do Peru, onde Prevost atuou entre 2015 e 2020. Nesse período, pelo menos três religiosas relataram ao Vaticano que haviam sofrido ou testemunhado abusos sexuais cometidos por dois padres da diocese. Segundo as freiras, Prevost teria sido formalmente informado, mas não tomou medidas efetivas contra os acusados. Em entrevistas e documentos tornados públicos por organizações civis peruanas, uma das vítimas afirmou: “Ele nos ouviu, mas escolheu proteger os agressores.”

As denúncias foram endossadas por grupos locais de proteção à mulher e chegaram a ser encaminhadas ao então núncio apostólico no país. Contudo, segundo as vítimas, nenhuma ação prática foi tomada pela cúria de Chiclayo, e os padres envolvidos seguiram exercendo funções religiosas por anos após os relatos.

Além disso, documentos internos apontam que Prevost não instaurou investigações canônicas imediatas, como exigido pelos protocolos do Vaticano desde 2010, o que configura, na prática, omissão institucional. Em sua defesa, a diocese de Chiclayo divulgou uma nota afirmando que o então bispo “cumpriu com os trâmites exigidos pela Santa Sé” e que “nenhuma acusação formal foi comprovada.”

Apesar disso, a Rede de Sobreviventes de Abuso por Sacerdotes (SNAP) classificou a eleição de Leão XIV como “um sinal perigoso para as vítimas” e afirmou que a Igreja “volta a promover figuras com histórico de conivência”.

Nos Estados Unidos, onde Prevost atuou anteriormente como auxiliar em Chicago, registros indicam que ele já havia sido questionado pela sua postura frente a denúncias semelhantes, embora sem a mesma repercussão pública.

A eleição de Leão XIV representa uma quebra de expectativa para quem aguardava um novo pontificado centrado em reparações e justiça. Em seu primeiro discurso, o Papa prometeu continuar os esforços de Francisco por uma Igreja mais acolhedora e transparente, mas não mencionou as acusações de sua própria trajetória.

Para as vítimas, a falta de respostas concretas continua sendo uma ferida aberta. “Ser ouvido não é o bastante. Queremos que ele assuma responsabilidade”, disse uma das religiosas em entrevista ao jornal La República, do Peru.

A Santa Sé ainda não comentou oficialmente as acusações. Não há, até o momento, investigações formais reabertas, mas a pressão internacional pode forçar o novo Papa a se posicionar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Relacionados

Espaço Publicitário

Últimas postagens