Cinco ambulâncias, um caminhão dos bombeiros e um veículo da Organização das Nações Unidas (ONU) foram alvos de um ataque no sul da Faixa de Gaza, na região de al-Hashashin, segundo informou o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (UNOCHA).
A entidade acusou as Forças de Defesa de Israel (FDI) de disparar contra veículos de socorro e matar trabalhadores humanitários em serviço. O ataque ocorreu no último dia 23 de março e vitimou profissionais do Crescente Vermelho Palestino.
Um comunicado divulgado pela Cruz Vermelha Internacional classificou o episódio como o mais letal contra trabalhadores da organização desde 2017, em qualquer lugar do mundo.
Até o momento, quinze corpos foram recuperados de uma vala comum descoberta no domingo (30). As vítimas estavam enterradas em covas rasas, em um banco de areia no meio de uma estrada — o que a ONU classificou como um tratamento indigno e uma possível violação do direito humanitário internacional.
Um paramédico ainda está desaparecido. As Forças de Defesa de Israel admitiram o ataque, mas rejeitaram a acusação de que a ação tenha sido arbitrária.
De acordo com o porta-voz militar israelense, Nadav Shoshani, os veículos atingidos não apresentavam sinais de emergência, como sirenes ou marcações visíveis, e se aproximaram das tropas de forma suspeita.
Segundo ele, entre os ocupantes havia supostos membros de grupos armados. Apesar da gravidade do caso e dos apelos internacionais, Israel ainda não se comprometeu a realizar uma investigação formal sobre o incidente.
Desde o início do conflito, a ONU contabiliza a morte de pelo menos 1.060 profissionais de saúde na Faixa de Gaza, um número que reflete a crescente vulnerabilidade dos trabalhadores humanitários em meio aos confrontos armados.






