iver sob pressão constante pode cobrar um preço alto da saúde — e para as mulheres, esse custo pode ser ainda maior. Um estudo publicado na revista Neurology, da Academia Americana de Neurologia, revelou que mulheres com níveis moderados de estresse têm 78% mais chances de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) do tipo isquêmico, o mais comum, causado pela obstrução de artérias no cérebro.
A pesquisa foi conduzida por especialistas do Hospital Universitário de Helsinque, na Finlândia, em parceria com o Instituto Karolinska, na Suécia. Foram analisadas 852 mulheres — metade com histórico de AVC sem causa aparente e metade sem a doença — para investigar como o estresse impacta a saúde cerebral feminina.
O resultado chamou atenção: mulheres com estresse moderado tiveram risco significativamente maior de derrame, enquanto o estresse considerado extremo aumentou o risco em apenas 6%, um dado que intriga os cientistas e levanta hipóteses sobre os mecanismos biológicos envolvidos. Curiosamente, o efeito do estresse não foi observado com a mesma intensidade nos homens.
Estresse cotidiano e invisível
O estudo reforça algo que muitas mulheres já sabem na prática: o estresse crônico — silencioso, acumulado entre responsabilidades profissionais, domésticas e emocionais — pode afetar profundamente a saúde.
Segundo a médica fisiatra Prof.ª Dra. Matilde Sposito, o estresse prolongado altera a pressão arterial, interfere na circulação sanguínea e sobrecarrega o sistema nervoso, aumentando as chances de um AVC. “É um processo silencioso, mas contínuo. O corpo vai sinalizando, e muitas vezes a mulher ignora os alertas por achar que é só cansaço ou rotina puxada”, explica a especialista.
Prevenção é prioridade
Especialistas recomendam atenção aos sinais de estresse, priorização da saúde mental, alimentação equilibrada e a prática regular de atividades físicas. Estratégias como meditação, pausas conscientes no dia a dia e sono de qualidade também são aliadas importantes na prevenção.
“O estresse, quando crônico, é um fator de risco tão sério quanto pressão alta ou diabetes”, alerta Dra. Matilde. E a prevenção, como sempre, começa pela informação.






