Manaus | 13 de agosto de 2026 | 01:31:34

Internação de Francisco teve risco real de morte, afirma médico

O papa Francisco, de 87 anos, enfrentou momentos críticos durante sua recente internação por pneumonia, a ponto de seus médicos considerarem suspender o tratamento para deixá-lo morrer em paz. A revelação foi feita pelo chefe da equipe médica do pontífice, o doutor Sergio Alfieri, em entrevista publicada nesta terça-feira (25) pelo jornal italiano Corriere Della Sera.
Segundo Alfieri, a piora significativa do estado de saúde ocorreu em 28 de fevereiro, durante os 38 dias de internação do líder da Igreja Católica. Ele teve alta no último domingo (23), após quase seis semanas hospitalizado.
“Estávamos todos cientes de que a situação havia piorado e que havia um risco real de que ele não sobrevivesse. Pela primeira vez, vi lágrimas nos olhos de pessoas ao seu redor”, relatou o médico.


Mesmo com o agravamento da saúde, Francisco permaneceu lúcido durante todo o tempo e pediu que os médicos fossem transparentes com ele.
“Ele sabia que talvez não sobrevivesse àquela noite. Disse apenas: ‘Está ruim’. Pediu que sempre falássemos a verdade, e assim foi feito”, contou Alfieri.
Diante da gravidade, a equipe médica chegou a discutir a possibilidade de interromper o tratamento e permitir que o pontífice partisse com dignidade. No entanto, o assistente pessoal do papa, Massimiliano Strappetti, insistiu para que fosse feito “tudo o que fosse possível” para salvá-lo.
“Tivemos que decidir entre parar ou tentar tudo, mesmo com risco alto de prejudicar outros órgãos. Optamos por lutar. Ninguém desistiu”, destacou o médico.
Além desse episódio, o papa sofreu uma broncoaspiração enquanto se alimentava, o que agravou seu estado. Alfieri classificou os dois momentos como situações “perdidas” que evoluíram para uma recuperação que chamou de “milagrosa”.


De acordo com o boletim divulgado pelo Vaticano, o papa Francisco segue com fisioterapia respiratória e tratamentos para recuperar a voz, que ficou afetada após o uso prolongado de oxigênio de alto fluxo. A Santa Sé afirmou que ele não tem recebido visitas, exceto de colaboradores próximos, e permanece em repouso na Casa de Santa Marta, onde vive.
A previsão é que o pontífice mantenha um ritmo de vida mais calmo nos próximos meses. As atividades públicas serão retomadas gradualmente, com restrição ao contato com grandes grupos, para evitar novas infecções.
Apesar da recuperação, os médicos alertaram que vestígios virais ainda permanecem nos pulmões, embora a pneumonia tenha sido controlada.


Alfieri destacou que, mesmo debilitado, o papa manteve o bom humor e o espírito resiliente que o caracterizam:
“Ele costuma dizer: ‘Ainda estou vivo’ e sempre acrescenta: ‘Não se esqueça de viver e manter o bom humor’. Ele tem um corpo cansado, mas a mente é a de um homem de 50 anos.”


Por conta da condição de saúde do pontífice, a visita oficial do rei Charles III e da rainha Camilla, do Reino Unido, ao Vaticano, marcada para 7 de abril, foi adiada, informou o Palácio de Buckingham nesta terça-feira (25).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Relacionados

Espaço Publicitário

Últimas postagens