Manaus | 14 de agosto de 2026 | 23:58:48

EUA planejam fechar consulados no exterior, incluindo no Brasil e na Europa

O Departamento de Estado dos Estados Unidos se prepara para fechar uma série de consulados e representações diplomáticas ao redor do mundo, incluindo no Brasil e na Europa, segundo fontes do governo americano. A medida faz parte de um corte mais amplo promovido pelo ex-presidente Donald Trump, alinhado à sua política externa “America First”, e tem potencial para afetar alianças internacionais e a capacidade de atuação de Washington em questões estratégicas.

A decisão gerou preocupações entre agências federais, especialmente pela possibilidade de reduzir a capacidade operacional americana no exterior. Representações diplomáticas abrigam funcionários de áreas essenciais, como inteligência, segurança, comércio e saúde, que monitoram temas de interesse nos países anfitriões e trabalham em iniciativas como combate ao terrorismo, fortalecimento da democracia e ajuda humanitária.

Lista de consulados afetados

Uma lista enviada ao Congresso americano pelo Departamento de Estado inclui consulados em cidades como Florença (Itália), Estrasburgo (França), Hamburgo (Alemanha) e Ponta Delgada (Portugal). Segundo informações do New York Times, um consulado no Brasil também estaria na relação. Atualmente, os EUA mantêm consulados em Recife, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo, além de um escritório da embaixada em Belo Horizonte.

Impacto na inteligência e influência global

O fechamento de postos diplomáticos preocupa setores estratégicos do governo, especialmente em um momento em que a China amplia sua presença internacional. Atualmente, Pequim já ultrapassa Washington em número de postos globais de diplomacia, com 274 representações contra 271 dos EUA. A retirada de diplomatas americanos do exterior pode reduzir a influência dos Estados Unidos, enquanto a China fortalece sua posição em regiões como Ásia e África.

A decisão também afeta a CIA, que opera grande parte de seus agentes secretos sob cobertura diplomática. O fechamento de consulados dificultaria a movimentação de agentes de inteligência e a coleta de informações estratégicas em diversos países.

Além disso, o corte atingirá diretamente trabalhadores estrangeiros contratados pelas representações americanas. Atualmente, estima-se que dois terços da força de trabalho dos consulados sejam formados por funcionários locais, que fornecem conhecimento fundamental sobre os países onde atuam.

Cortes no orçamento e crise diplomática

Os cortes fazem parte de uma campanha para reduzir em até 20% o orçamento do Departamento de Estado. O processo foi impulsionado por uma equipe de consultores liderada pelo empresário Elon Musk, que busca reduzir o que considera “desperdício governamental”. Um dos responsáveis pela revisão orçamentária é Edward Coristine, um engenheiro de apenas 19 anos, que atualmente trabalha na reestruturação da agência.

O impacto na diplomacia americana já é sentido internamente. Nos dois primeiros meses deste ano, cerca de 700 funcionários do Departamento de Estado pediram demissão, incluindo 450 diplomatas de carreira. Muitas dessas vagas permanecem congeladas, sem previsão de reposição.

Em fevereiro, o secretário de Estado, Marco Rubio, enviou um memorando aos chefes de missão determinando que as equipes nos consulados e embaixadas fossem reduzidas ao “mínimo necessário”. Ele também ordenou que posições vagas há dois anos fossem permanentemente eliminadas.

A redução dos postos diplomáticos levanta dúvidas sobre o futuro da política externa americana e sua capacidade de atuação global em um cenário de crescente disputa por influência com a China.

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