O ovo continua sendo um dos alimentos mais consumidos pelos brasileiros, mas a alta nos preços tem impactado tanto os consumidores quanto os produtores. No Amazonas, maior produtor de ovos da Região Norte, o setor segue aquecido, mas enfrenta desafios como o aumento dos custos operacionais e a logística de distribuição.
O estado produz mais de 62 milhões de dúzias de ovos por ano, sendo que Manaus responde por 36,8 milhões dessa quantidade. Mesmo com a alta nos preços, o consumo segue em crescimento. Em 2023, o brasileiro consumiu, em média, 242 ovos ao ano. Já em 2024, esse número subiu para 269 ovos por habitante, um aumento de 11,2%. A previsão para 2025 é de um crescimento mais moderado, chegando a 272 ovos por habitante, reforçando a popularidade do alimento.
Café da manhã e custos em alta
Na banca de café da manhã de Isaac Pinheiro, os ovos estão entre os produtos mais vendidos. Ele conta que comercializa, em média, dez cartelas aos domingos e seis aos sábados. No entanto, a alta dos preços tem exigido ajustes para manter as vendas.
“Com certeza, a gente sente o impacto, não só no ovo, mas em outros alimentos também. Tentamos amortizar isso aumentando a venda de itens mais baratos para não pesar no bolso do cliente. Mas, se a inflação continuar subindo, teremos que repassar o preço”, explica Isaac.
A situação também preocupa os produtores. Joana Darc, que trabalha com a criação de galinhas poedeiras, destaca que o principal fator que pressiona os preços é o custo da ração, essencial para a produção.
“Quando a ração aumenta, meu custo sobe, e eu preciso repassar no preço para manter a lucratividade. Como venho de longe, preciso vender um pouco mais caro, mas sempre entregando qualidade para os clientes”, afirma Joana.
Desafios e perspectivas para o setor
Os produtores enfrentam desafios adicionais, como o impacto da estiagem na logística de entrega para o interior do estado. Luiz Mário Peixoto, diretor de uma granja que produz mais de um milhão de ovos por dia, explica que a seca dificulta o transporte e aumenta os custos.
Apesar dessas dificuldades, o setor segue otimista. A produção nacional deve atingir 59 bilhões de ovos em 2025, segundo projeções do setor. A economista Lenice Benevídes aponta que o crescimento do consumo está relacionado a diversos fatores, incluindo avanços tecnológicos na produção, estabilidade sanitária (sem surtos de doenças como a influenza aviária) e o custo das outras proteínas.
“As donas de casa tendem a substituir proteínas mais caras pelo ovo, que é mais acessível e contém os nutrientes necessários para a família”, destaca Lenice.
Diante do cenário econômico e dos desafios produtivos, o ovo segue sendo um dos principais alimentos na mesa dos brasileiros. O desafio, tanto para produtores quanto para consumidores, é equilibrar custos e qualidade sem comprometer a demanda.






