Manaus | 15 de agosto de 2026 | 00:24:24

Hamas responde Trump: ‘Ameaça não tem valor e só complica as coisas’

O posicionamento de Abu Zuhri surgiu em resposta a uma manifestação do presidente americano, que disse a repórteres na segunda-feira que, se todos os reféns não fossem devolvidos e houvesse atraso por parte do Hamas, o grupo palestino seria punido.

— No que me diz respeito, se todos os reféns não forem devolvidos até sábado às 12 horas, acho que é um momento apropriado para dizer: cancelem [o acordo], deixem tudo em aberto e que o inferno corra solto — disse o republicano no Salão Oval da Presidência.

Previamente, o braço armado do Hamas, as Brigadas al-Qassam, haviam anunciado que a libertação de reféns israelenses planejada para sábado estava adiada “até novo aviso”, acusando Israel de violar os termos do acordo. Entre as acusações feitas pelo grupo estariam atrasos em permitir o retorno de palestinos deslocados ao norte de Gaza e em facilitar a entrada de ajuda humanitária. Em seguida, Israel ordenou às tropas do Exército que se “preparem para todos os cenários”.

A frágil trégua entre as partes está em vigor desde 19 de janeiro graças à mediação do Catar e à ajuda dos Estados Unidos e do Egito. A trégua permitiu até o momento a libertação de 21 reféns, incluindo 16 de Israel, em troca de mais de 700 prisioneiros palestinos detidos em Israel. No total, 33 reféns israelenses devem ser libertados na primeira fase da trégua, prevista para terminar em 1º de março.

O Gabinete de Segurança de Israel se reuniu nesta terça-feira em Jerusalém para discutir como se daria a resposta ao adiamento da libertação de reféns pelo Hamas. A reunião aconteceu ao som de tambores e gritos do lado de fora do Gabinete do premier, Benjamin Netanyahu, diante das manifestações convocadas por familiares e grupos que defendem a priorização do retorno dos reféns, pedindo que o governo faça tudo para garantir a continuidade das trocas.

Mais cedo, o kibbutz Kissufim, uma das comunidades atacadas durante o atentado terrorista que deu início ao atual conflito em Gaza, anunciou que o idoso Shlomo Mansour, de 86 anos, que foi capturado pelo Hamas e levado para o enclave está morto. Netanyahu expressou “sinceras condolências” à família do falecido.

Em uma publicação na rede social X, o secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo para que o acordo de cessar-fogo fosse cumprido em sua integralidade, incluindo os dispositivos que preveem a negociação continuada para troca dos demais reféns.

“Devemos evitar a todo custo a retomada das hostilidades em Gaza, o que levaria a uma imensa tragédia”, escreveu Guterres. “Apelo ao Hamas para prosseguir com a libertação planejada dos reféns”. (Com AFP).

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