A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de estabelecer tarifas de 25% sobre todas as importações de aço pode impactar significativamente a economia brasileira. Caso seja oficializada, a medida obrigaria o Brasil a diversificar seus mercados de exportação, especialmente diante da queda da demanda chinesa pelo material, conforme avaliam especialistas.
Em 2024, o Brasil foi o segundo maior fornecedor de aço e ferro para os Estados Unidos, consolidando-se como um parceiro essencial do mercado norte-americano, que movimentou US$ 5,7 bilhões no setor. No entanto, a imposição tarifária deve gerar uma necessidade de redirecionamento das exportações.
Segundo Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, a taxação prejudicaria não apenas os volumes exportados, mas também a precificação do aço. “Mesmo que o Brasil busque na China uma alternativa para compensar a perda do mercado americano, o impacto não será totalmente suprido, pois a China tem reduzido sua demanda pelo material nos últimos anos”, explica.
De acordo com analistas consultados pela Reuters, a China pode aumentar suas compras de minério de ferro entre 10 milhões e 40 milhões de toneladas, atingindo um total de até 1,27 bilhão de toneladas em 2025. No entanto, esse crescimento não se traduz em um maior consumo de aço importado, dado o desaquecimento do setor imobiliário chinês.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que as exportações chinesas de “ferro fundido, ferro e aço” vêm desacelerando desde 2020, quando atingiram US$ 2,12 bilhões. Esse cenário reforça a dificuldade para o Brasil encontrar mercados substitutos de forma imediata.
Desafios da diversificação de mercado
Marcela Franzoni, professora de Relações Internacionais do Ibmec-SP, aponta que redirecionar as exportações pode ser um desafio no curto prazo. “Existe toda uma estrutura produtiva voltada para um mercado específico. Encontrar um novo destino para o aço brasileiro é complexo, principalmente diante da depreciação do preço do material”, analisa.
Uma das alternativas para mitigar os impactos seria um fortalecimento do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. “Se esse acordo estivesse em vigência, poderia facilitar a transição das exportações brasileiras de aço. Embora não seja possível substituir os EUA, é viável ampliar as vendas para países europeus que já importam volumes consideráveis do Brasil”, afirma Cruz.
Outra possibilidade seria negociar condições especiais com os Estados Unidos. Em 2019, durante o primeiro mandato de Trump, o Brasil conseguiu evitar tarifas similares através da negociação de cotas máximas de importação que garantiam isenção tarifária se respeitados os limites estabelecidos.
“Além da diversificação, é fundamental que o governo brasileiro busque um entendimento com Washington para obter um acordo semelhante ao negociado anteriormente”, conclui Franzoni.
O impacto da medida será monitorado de perto pelo setor siderúrgico, que já se prepara para enfrentar um período de ajustes diante das novas barreiras comerciais.





