Manaus | 31 de julho de 2026 | 01:16:28

‘Um inferno’: Brasileiros deportados dos EUA relatam abusos e humilhações

Os primeiros brasileiros deportados dos Estados Unidos após a posse de Donald Trump como presidente chegaram ao Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na noite de sábado (25). Relatos dramáticos evidenciam um tratamento desumano desde a saída do território americano até o retorno ao Brasil.

Sandra Pereira de Souza, 36 anos, seu marido Alisdete Gonçalves dos Santos, 49, e seus dois filhos pequenos estavam entre os passageiros. “Um inferno, uma tortura desde que saímos da Louisiana”, declarou Sandra. Ela relatou problemas técnicos no avião e o descaso com os passageiros. “A gente estava morrendo de medo de morrer.”

Segundo a família, que vivia nos Estados Unidos há mais de três anos e cumpria suas obrigações com a imigração, a deportação ocorreu de forma inesperada, sem tempo para reunir pertences essenciais, como fraldas para os filhos.

Algemas, agressões e ameaças

Entre os 88 brasileiros deportados, muitos foram algemados e relataram agressões físicas e psicológicas por parte dos agentes de imigração. Carlos Vinícius de Jesus, 29 anos, contou: “Bateram em nós. Disseram que iam deixar o avião cair e que o nosso governo não era de nada.”

Carlos, natural de Vespasiano, Minas Gerais, tentou atravessar ilegalmente pelo México em 2023, mas foi preso durante a tentativa. Ele descreveu as agressões sofridas no voo e afirmou que, apesar do trauma, sentiu alívio ao retornar ao Brasil.

Outros deportados relataram situações similares. Muitos homens foram agredidos com murros, tapas e até com as próprias algemas. Apenas mulheres, crianças e pais acompanhados de filhos foram poupados da violência.

Condições precárias no voo

Além das agressões, os passageiros enfrentaram condições precárias no avião, que apresentou falhas técnicas durante o trajeto. Após uma parada no Panamá devido a problemas nas turbinas, a aeronave seguiu viagem sem reparos significativos.

“O avião teve que viajar com um mecânico a bordo. Nunca vi isso”, disse Kaleb Barbosa, 28 anos, que morava nos Estados Unidos há seis anos. Durante o voo, o ar-condicionado parou de funcionar, causando desmaios e desespero entre os passageiros. “Foi como um filme de terror”, afirmou Kaleb.

As condições só melhoraram após intervenção do governo brasileiro, que enviou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para completar a viagem de Manaus a Belo Horizonte. Kaleb acredita que, sem a mudança de aeronave, a tragédia seria inevitável.

Esperança e reconstrução

Apesar do trauma, os deportados demonstram resiliência e o desejo de recomeçar. Sandra e Alisdete, que deixaram para trás uma empresa, uma casa e um carro, agora buscam reconstruir suas vidas no Brasil. “Depois de tudo, queremos paz e dignidade”, declarou Alisdete.

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