O presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol, foi preso na última quarta-feira, (14) após um longo impasse com as autoridades. Ele está sendo investigado por insurreição, acusado de tentar dar um autogolpe em dezembro de 2024 ao decretar lei marcial e suspender direitos políticos no país. O caso resultou no afastamento de Yoon do cargo pelo Parlamento, que aprovou um impeachment contra ele.
Essa foi a segunda tentativa da polícia de cumprir o mandado de prisão emitido pela Justiça sul-coreana. Na primeira tentativa, no início do mês, apoiadores de Yoon impediram a entrada dos policiais na residência oficial, criando um cenário de confronto com a guarda presidencial, que chegou a montar barricadas com veículos. Durante essa resistência, Yoon se manteve dentro do imóvel, se recusando a prestar depoimento sobre as acusações.
A prisão ocorreu após horas de negociações e tentativas frustradas. Antes da ação, um assessor de Yoon afirmou que ele estaria disposto a se entregar, mas apenas caso as forças de segurança deixassem sua residência, o que não aconteceu. A prisão foi justificada pela recusa do presidente afastado em colaborar com a investigação, incluindo a ausência a múltiplos interrogatórios, tanto no caso criminal quanto no julgamento do Tribunal Constitucional sobre seu impeachment.
O crime de insurreição, um dos poucos contra os quais um presidente sul-coreano não tem imunidade, pode resultar em penas severas, como prisão perpétua ou até pena de morte. Contudo, a Coreia do Sul não executa ninguém desde 1997, o que torna improvável a aplicação dessa pena. Yoon ainda ocupa tecnicamente o cargo até que o Tribunal Constitucional decida se o impeachment será validado, o que mantém sua residência oficial e equipe de segurança sob sua disposição.
A situação gerou um ambiente de tensão, com a resistência de seus apoiadores, incluindo parlamentares e advogados, que contestaram a legalidade da prisão, alegando que ela visava humilhar politicamente o ex-presidente. Além disso, muitos apoiadores sustentam teorias infundadas sobre a fraude nas eleições de 2024, alegações que foram usadas por Yoon para justificar sua tentativa de autogolpe.
No dia da prisão, Yoon também faltou pela segunda vez ao Tribunal Constitucional, que julga sua destituição do cargo. Seus advogados alegam que as tentativas de prisão impedem sua defesa no processo. A próxima audiência do caso está marcada para o dia 16 de janeiro, e se Yoon não comparecer, o julgamento seguirá com seus representantes legais.
O Tribunal Constitucional tem 180 dias para decidir o futuro de Yoon, que pode ter seu impeachment confirmado ou seus poderes presidenciais restaurados. O desfecho desse processo terá implicações profundas para a política sul-coreana e para a estabilidade do governo.






