A decisão de beber ou não a água do mar é um dilema angustiante enfrentado por qualquer náufrago. A sede extrema e a proximidade das vastas quantidades de água ao redor tornam essa escolha ainda mais difícil. No entanto, a tentação de tomar um gole pode ser fatal. Marinheiros experientes conhecem bem os riscos associados a essa prática, que, ao invés de ajudar, agrava a situação.
Embora a água do mar pareça ser uma solução, ela, na realidade, causa desidratação rápida e grave. Do ponto de vista químico, os seres humanos, assim como outros organismos vivos, são compostos por água e substâncias dissolvidas, incluindo sais. A água é essencial para as reações bioquímicas que sustentam a vida, e é vital para a nossa sobrevivência metabólica.
Nosso corpo está constantemente perdendo água, principalmente por meio da evaporação. Contudo, a nossa pele, revestida por queratina, impede a perda excessiva de água, funcionando como uma barreira protetora. No entanto, áreas do corpo como olhos, nariz, boca, e até mesmo a uretra, continuam a perder umidade.
A perda contínua de água diminui o volume sanguíneo, o que leva à queda da pressão arterial. Essa redução é detectada por sensores no corpo, que acionam mecanismos para estimular a sede e a necessidade de hidratação. Quando bebemos água, ela é absorvida pelo intestino, restaurando o volume sanguíneo e equilibrando as funções vitais.
Se a água do mar for consumida, o processo é o mesmo, mas com consequências desastrosas. A água salgada chega à corrente sanguínea com altos níveis de cloreto de sódio (sal de cozinha), e os rins tentam excretar o excesso de sal. O problema é que a água do mar contém mais sal do que o rim pode processar. Para se ter uma ideia, a água do mar possui cerca de 12 gramas de sódio por litro, mas o rim humano só consegue eliminar até seis gramas por litro de urina. Isso significa que, ao beber um litro de água salgada, o corpo acumula seis gramas de sal sem a quantidade necessária de água para diluí-lo.
Além do sal, a água do mar contém sulfato de magnésio, um composto que impede a absorção de água no intestino e pode causar diarreia. Assim, o náufrago não só ficará mais desidratado, mas também sofrerá com problemas intestinais.
Em resumo, beber água do mar só aumenta a sede e piora a situação de quem já se encontra em perigo.






