Nos primeiros dois anos de seu mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentou os gastos sigilosos com o cartão corporativo e manteve a prática de impor sigilo de 100 anos a diversas informações governamentais, semelhante ao que ocorria na gestão de Jair Bolsonaro.
De acordo com dados obtidos, entre 1º de janeiro de 2023 e 20 de dezembro de 2024, foram registradas 3.210 negativas a pedidos de acesso à informação, sob a justificativa de se tratarem de dados pessoais — o que, na prática, impõe sigilo de 100 anos. Esse número representa um aumento de 8,4% em comparação ao mesmo período da gestão anterior, que contabilizou 2.959 negativas.
Entre as informações protegidas pelo sigilo estão a lista de visitantes da primeira-dama, Rosângela da Silva, conhecida como Janja, e detalhes sobre militares envolvidos nos eventos de 8 de janeiro de 2023. O governo justifica essas medidas como necessárias para garantir a segurança e a privacidade, argumento similar ao utilizado pela administração anterior.
Além disso, os gastos com cartões corporativos da Presidência somaram R$ 38,3 milhões entre janeiro de 2023 e outubro de 2024, um aumento de 9% em relação aos dois primeiros anos do governo Bolsonaro. O Planalto atribui esse incremento ao elevado número de viagens internacionais realizadas pelo presidente Lula.
Apesar das críticas e das promessas de campanha por maior transparência, o governo atual ainda não implementou mudanças significativas nessa área. A Controladoria-Geral da União (CGU) informou que está finalizando um projeto de lei para eliminar o prazo máximo de 100 anos de restrição de acesso a informações pessoais, com previsão de envio ao Congresso no primeiro semestre de 2025.
Especialistas em transparência pública criticam a manutenção desses sigilos prolongados, argumentando que, em uma democracia, o segredo deve ser a exceção e não a regra. Eles defendem que a divulgação de informações é fundamental para o controle social e para fortalecer a confiança da população nas instituições governamentais.





