A pesquisa, que analisou as respostas de mais de 120 mil pessoas em 150 países, questionou os entrevistados sobre como se sentiram no dia anterior à entrevista. O resultado mostrou um aumento expressivo nos níveis de sentimentos negativos relatados pelas mulheres, como irritação e tristeza, em comparação aos dados de uma década atrás. Os resultados desafiam a ideia de que os avanços sociais e econômicos seriam suficientes para trazer mais felicidade à vida delas.
A dupla jornada e a pressão do ideal de perfeição
Especialistas apontam que, embora as mulheres tenham conquistado mais espaço no mercado de trabalho e direitos, a desigualdade na divisão das responsabilidades domésticas e familiares continua a sobrecarregá-las. A chamada “dupla jornada” — que combina carreira e cuidados com a casa e a família — ainda recai de forma desproporcional sobre elas. Além disso, o ideal de “mulher perfeita” imposto pela sociedade moderna intensifica as cobranças, criando um ciclo exaustivo de expectativas inatingíveis.
Um problema global com raízes locais
Enquanto em países desenvolvidos os sentimentos de irritação são frequentemente associados a pressões profissionais e falta de tempo, em países em desenvolvimento como o Brasil, a instabilidade econômica e a violência de gênero ampliam o quadro de insatisfação. Segundo especialistas, a pandemia de COVID-19 também agravou essas desigualdades, já que muitas mulheres tiveram que deixar o mercado de trabalho para cuidar dos filhos ou lidar com a sobrecarga de responsabilidades domésticas.
O que fazer diante desse cenário?
Embora o estudo não apresente soluções imediatas, ele reforça a necessidade de ações efetivas para aliviar as pressões enfrentadas pelas mulheres. Isso inclui políticas públicas voltadas para a igualdade de gênero no trabalho e na divisão de tarefas domésticas, além do investimento em saúde mental.
O desafio é criar um ambiente onde as conquistas femininas possam, de fato, se traduzir em maior felicidade e bem-estar. Afinal, o avanço nos direitos não deve ser acompanhado de um aumento na carga emocional e física. Como sociedade, é hora de rever o que está falhando e encontrar formas de construir um futuro mais equilibrado para todas.










