Manaus | 20 de agosto de 2026 | 05:10:31

Trump ameaça retomar controle do Canal do Panamá por tarifas altas

Foto:Reprodução

Em um discurso recente no Arizona, Donald Trump, presidente eleito dos Estados Unidos, levantou uma grave ameaça ao Panamá, acusando o país centro-americano de cobrar tarifas “exorbitantes” pelo uso do Canal do Panamá. Trump afirmou que, se o Panamá não reduzir drasticamente as taxas, exigirá que o canal seja devolvido “por completo, rapidamente e sem questionamentos” aos Estados Unidos. A declaração de Trump, feita diante de uma plateia de apoiadores, representa uma retórica agressiva e inusitada, sugerindo que os Estados Unidos poderiam pressionar o Panamá a ceder o controle da principal rota comercial que liga os oceanos Atlântico e Pacífico.

As tarifas cobradas pelo Panamá são especialmente sensíveis para os Estados Unidos, já que cerca de 14 mil embarcações — incluindo navios comerciais e militares americanos — transitam pelo canal anualmente. Trump qualificou essas taxas como “ridículas” e “extremamente injustas”, alegando que representam uma exploração dos interesses americanos. Embora o ex-presidente não tenha detalhado como pretende exigir a devolução do canal, sua fala indica que uma mudança significativa na política externa dos EUA poderia ocorrer durante seu mandato.

O Canal do Panamá, com 82 km de extensão, foi administrado pelos Estados Unidos até 1999, quando a soberania sobre a via foi transferida para o Panamá após tratados internacionais. Desde então, o país centro-americano tem controlado totalmente o canal, mas as críticas de Trump refletem sua visão de que os EUA devem ter mais influência sobre esse “ativo nacional vital”. A tensão aumentou após Trump reforçar que a exploração econômica do canal pelo Panamá precisa ser revista, colocando em dúvida a permanência da situação atual.

A reação do presidente panamenho, José Raúl Mulino, foi imediata e firme, afirmando que a soberania do Panamá sobre o canal e suas áreas adjacentes não está em discussão. Mulino reforçou a independência do país, destacando que as declarações de Trump não têm fundamento jurídico. Esse embate político entre os dois países pode gerar tensões diplomáticas significativas, caso Trump insista em suas ameaças.

Além do Canal do Panamá, Trump também aproveitou para criticar outros países, como o Canadá e o México, acusando-os de práticas comerciais desleais e de não proteger adequadamente a fronteira dos EUA contra drogas e imigração ilegal. Em seu discurso, ele também mencionou temas recorrentes de sua campanha, como segurança, imigração e comércio, e até falou sobre Elon Musk, negando rumores de que ele cederia a presidência para o empresário.

Essa postura de Trump sinaliza que, ao assumir a presidência em janeiro de 2025, ele continuará a adotar uma política externa assertiva, com foco em defender os interesses dos Estados Unidos, mesmo que isso envolva confrontos diplomáticos com aliados tradicionais. A situação do Canal do Panamá, portanto, é apenas um exemplo das futuras disputas que podem marcar a relação de Trump com outros países.

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