Manaus | 3 de agosto de 2026 | 18:15:21

Queimadas reduzem carbono e diversidade na Amazônia e cerrado

Pesquisadores que investigam os impactos das queimadas na Amazônia e no Cerrado constataram uma redução significativa na biodiversidade e nos estoques de carbono nas áreas de transição entre essas duas regiões. O estudo, financiado pelo Instituto Serrapilheira, revela que áreas impactadas por incêndios recorrentes tiveram uma diminuição de até 68% na capacidade de armazenar dióxido de carbono (CO₂) na biomassa da vegetação.

A pesquisa foi conduzida por uma equipe de cientistas liderada por Fernando Elias, da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), e Maurivam Barros Pereira, da Universidade Estadual do Mato Grosso (UEMT). Eles analisaram 14 áreas de florestas divididas em três grupos: nunca impactadas por fogo, queimadas uma vez e aquelas afetadas por múltiplos incêndios. Durante o estudo, foram coletados dados sobre o número de espécies, a densidade de troncos e os estoques de carbono acima do solo.

De acordo com Elias, o estudo refuta a ideia de que a Amazônia está se transformando em uma grande savana. “A Amazônia não está virando uma grande savana, ela está virando uma floresta secundária, mais pobre, com menos estoque de carbono e menos indivíduos”, alerta o pesquisador. A pesquisa indicou uma redução de até 70% no estoque de carbono nas áreas afetadas por incêndios reiterados, o que contribui para o empobrecimento da vegetação.

Para avaliar o impacto do fogo na composição florística das florestas, os cientistas classificaram as espécies em três grupos: típicas do Cerrado, de ambientes florestais e generalistas, que ocorrem em ambas as regiões. O estudo revelou que, após o incêndio, as espécies savânicas e generalistas mantiveram seus números, enquanto as espécies florestais, mais sensíveis ao fogo, sofreram um grande declínio. Espécies raras e vulneráveis, que não possuem características de defesa contra o fogo, estão particularmente ameaçadas de extinção local.

“O súber, a casca de algumas espécies florestais, é muito fina ou até ausente, tornando-as extremamente vulneráveis ao fogo. Quando essas espécies, que são raras e sensíveis, sofrem um incêndio, podem ser extintas localmente se não tiverem adaptações para resistir ao fogo”, explica Elias.

Esse estudo reforça a urgência de estratégias de preservação para evitar o agravamento das queimadas e seus impactos ambientais, que ameaçam a biodiversidade e contribuem para a aceleração das mudanças climáticas.

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