O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reforçou, nesta quinta-feira (28), seu apelo ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que seja concedida anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, quando houve ataques aos Três Poderes em Brasília. Durante entrevista à Revista Oeste, Bolsonaro afirmou que o Brasil só alcançará a pacificação com um gesto de concessão.
“Para pacificarmos o Brasil, alguém tem que ceder. Quem tem que ceder? O senhor Alexandre de Moraes. (…) Se tivesse uma palavra do [presidente] Lula ou do Alexandre de Moraes no tocante à anistia, estava tudo resolvido. (…) Eu apelo aos ministros do Supremo Tribunal Federal, eu apelo. Por favor, repensem, vamos partir para uma anistia, vai ser pacificado”, declarou o ex-presidente.
Críticas ao relatório da Polícia Federal
Bolsonaro também rebateu o relatório da Polícia Federal (PF), que o acusa de participação em uma suposta trama para um golpe de Estado no final de 2022. Ele classificou o documento como uma “peça de ficção” e afirmou que as conversas que manteve com os comandantes das Forças Armadas eram baseadas em hipóteses constitucionais, sem qualquer intenção golpista.
“Eu discuti, sim, com os comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica, sobre hipóteses constitucionais, como o artigo 142, Estado de sítio e Estado de defesa, mas nunca foi uma conversa acalorada”, disse Bolsonaro, reiterando que as reuniões se limitaram a debates técnicos e legais.
Busca pela pacificação nacional
A proposta de anistia defendida por Bolsonaro ecoa entre setores que pedem a despolarização política e a restauração da harmonia institucional. O ex-presidente reiterou que, sem um gesto de perdão, o país continuará dividido e politicamente instável.
Contexto dos atos de 8 de janeiro
Em 8 de janeiro de 2023, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília, protestando contra a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Os manifestantes destruíram vidros, obras de arte e móveis, além de causarem incêndios nos prédios do Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal (STF).
Os ataques aos Três Poderes, que resultaram em depredações significativas, seguem sob investigação, com centenas de acusados sendo julgados. Alexandre de Moraes, ministro do STF, tem sido o principal alvo de críticas por sua postura firme contra os envolvidos nos atos antidemocráticos.
Bolsonaro concluiu sua fala apelando ao diálogo e à compreensão entre as lideranças do país, destacando que a anistia seria o caminho para “virar a página” e avançar rumo à estabilidade.





