Manaus | 24 de julho de 2026 | 04:25:46

Uma em cada cinco brasileiras já foi ameaçada de morte por parceiros

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Patrícia Galvão, em parceria com a Consulting do Brasil, revelou dados alarmantes sobre a violência doméstica no Brasil. O estudo aponta que 21% das mulheres brasileiras já foram ameaçadas de morte por parceiros ou ex-parceiros. Além disso, seis em cada dez mulheres conhecem alguém que já vivenciou essa situação, com maior prevalência entre mulheres negras.

O levantamento, intitulado “Medo, ameaça e risco: percepções e vivências das mulheres sobre violência doméstica e feminicídio”, foi apoiado pelo Ministério das Mulheres e revela o impacto profundo dessas ameaças na vida das vítimas, destacando as dificuldades para denunciar os agressores.

O medo que paralisa
Apesar de quase metade das vítimas (44%) declararem sentir muito medo, apenas 30% registraram queixa à polícia e 17% solicitaram medida protetiva. Esse comportamento reflete o temor pela própria segurança e a falta de confiança no sistema de justiça. De acordo com a pesquisa, dois terços das mulheres acreditam que os agressores raramente enfrentam punições.

A sensação de impunidade é um dos fatores que agravam o problema: 60% das entrevistadas consideram que a ausência de consequências legais contribui para o aumento dos casos de feminicídio.

Histórias que refletem uma realidade cruel
Casos como o de Zilma Dias, diarista que perdeu uma sobrinha vítima de feminicídio e também sofreu abusos em um relacionamento anterior, refletem a gravidade da violência doméstica no Brasil. Zilma enfatiza a importância de buscar ajuda: “O medo paralisa, mas a denúncia pode salvar vidas.”

Rede de apoio e enfrentamento
A pesquisa também destacou a relevância de campanhas de denúncia e redes de apoio, como as delegacias especializadas, as Casas da Mulher Brasileira e o Disque 180. Essas iniciativas oferecem acolhimento e orientação para mulheres em situação de risco.

Especialistas defendem o fortalecimento dessas estruturas e a ampliação de políticas públicas para enfrentar a violência de gênero. “É fundamental sensibilizar a sociedade sobre a gravidade do problema e garantir que as mulheres se sintam seguras para denunciar”, afirma a psicóloga e ativista Carla Martins.

Transformação por meio da informação e justiça
A pesquisa reforça que enfrentar a violência doméstica exige uma combinação de educação, campanhas de conscientização e punição efetiva para os agressores. O trabalho conjunto entre sociedade, governo e organizações não governamentais é essencial para mudar a realidade de milhares de mulheres que convivem com o medo diário em seus próprios lares.

Se você ou alguém que conhece enfrenta uma situação de violência doméstica, ligue para o 180 e busque ajuda nas delegacias especializadas ou Casas da Mulher Brasileira. A denúncia pode ser o primeiro passo para a transformação.

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