Hoje, 25 de novembro, é celebrado o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, instituído pela ONU em 1999 para conscientizar e combater todas as formas de agressão de gênero. No entanto, apesar das campanhas e avanços legislativos, os números seguem alarmantes. Apenas em 2023, mais de 1,2 milhão de mulheres sofreram algum tipo de violência no Brasil, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Entre essas vítimas, a desigualdade racial escancara um dado cruel: as mulheres negras representaram 63,6% das vítimas de feminicídio em 2023, enquanto mulheres brancas corresponderam a 35,8%. A ativista Luka Franca, da Marcha das Mulheres Negras, afirma que “não há como enfrentar a violência contra as mulheres sem enfrentar a violência racial de forma conjunta”. Segundo ela, o histórico racista e misógino do Brasil perpetua a objetificação e a desumanização das mulheres negras.
Além disso, a relação entre violência de gênero e classe social é destacada por Itamara Almeida, do Movimento de Mulheres Camponesas. Ela ressalta que, mesmo com a ampliação dos mecanismos de denúncia, como o Disque 180 e as delegacias especializadas, as mulheres negras continuam mais vulneráveis, reflexo das condições de subalternidade herdadas do período escravocrata.
Violência doméstica e psicológica em alta
Em 2023, os casos de violência doméstica cresceram 9,8%, com 258.941 mulheres agredidas. Já os registros de ameaça subiram 16,5%, totalizando 778.921 vítimas. A violência psicológica também teve um aumento expressivo de 33,8%, afetando 38.507 mulheres.
No total, entre janeiro e maio deste ano, foram contabilizadas 380.735 ações judiciais envolvendo violência doméstica, estupro e feminicídio. Esses números, embora assustadores, também refletem o aumento das denúncias, segundo especialistas.
Desafios na implementação das políticas públicas
Embora o Brasil tenha leis avançadas, como a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio, a implementação dessas políticas muitas vezes ignora o impacto da raça. “A execução das políticas ainda se concentra apenas na questão de gênero e não enfrenta as intersecções raciais e sociais que tornam mulheres negras as maiores vítimas”, pontua Luka Franca.
Denunciar é fundamental
Apesar dos números crescentes, ativistas destacam que a visibilidade trazida pelos dados é um passo importante para a conscientização. “Os números aumentam porque as mulheres, finalmente, têm mecanismos para denunciar”, ressalta Itamara Almeida.
Este 25 de novembro reforça a importância de ações contínuas e integradas para erradicar a violência contra as mulheres. Denunciar, acolher e educar são passos essenciais para mudar essa realidade.
Se você ou alguém que conhece sofre com violência, procure ajuda no Disque 180. A luta por um futuro sem violência é responsabilidade de todos.










