Manaus | 24 de julho de 2026 | 05:37:45

64% das mulheres já foram questionadas sobre maternidade em entrevistas de emprego

A pesquisa, conduzida em janeiro deste ano, ouviu 1.124 pessoas de forma online e escancarou a realidade enfrentada por mães e mulheres que desejam ingressar ou se manter no mercado de trabalho.

Maternidade como barreira profissional

As perguntas sobre a maternidade em entrevistas de emprego muitas vezes refletem preconceitos e uma visão ultrapassada de que mães seriam menos produtivas ou comprometidas no ambiente profissional. Para muitas mulheres, essas perguntas não apenas geram desconforto, mas também podem impactar suas chances de serem contratadas.

“É uma armadilha disfarçada de curiosidade. Quando perguntam se você é mãe, estão tentando entender se você vai faltar ao trabalho por causa dos filhos ou se conseguirá lidar com a famosa ‘dupla jornada’”, comenta a socióloga e especialista em gênero, Maria Eduarda Santos.

Machismo no ambiente de trabalho

O problema não para nas entrevistas. Dentro do ambiente corporativo, as mães relatam enfrentarem uma série de desafios, como falta de apoio para balancear trabalho e responsabilidades familiares, preconceitos sobre sua capacidade de liderar projetos ou assumir cargos mais altos, e até mesmo a dificuldade de conseguir licença-maternidade em condições adequadas.

De acordo com o relatório, muitas mulheres sentem que precisam provar constantemente sua competência para compensar os estereótipos que recaem sobre elas. “A maternidade é vista como um empecilho, enquanto a paternidade é, muitas vezes, celebrada como sinal de estabilidade e responsabilidade”, acrescenta Maria Eduarda.

A Importância de políticas inclusivas

Diante deste cenário, especialistas defendem a implementação de políticas inclusivas nas empresas para combater o machismo e promover a equidade de gênero. Entre as medidas sugeridas estão:

  • Treinamento para gestores: Ensinar líderes a evitar vieses inconscientes e a promover um ambiente mais acolhedor para as mulheres, mães ou não.
  • Flexibilidade de horário: Permitir modelos de trabalho que ajudem as mães a equilibrar suas responsabilidades.
  • Licença parental igualitária: Dividir de forma mais justa os cuidados com os filhos entre mães e pais, quebrando estereótipos de gênero

Ana Paula, mãe de duas crianças, compartilha sua experiência: “Em uma entrevista, fui perguntada como eu planejava lidar com as reuniões de trabalho e os horários da escola. Senti que minha competência estava sendo avaliada apenas pelo fato de ter filhos. Isso nunca aconteceria com um homem.”

Já Fernanda Silva, que trabalha na área de tecnologia, lembra do momento em que precisou esconder que estava grávida em um processo seletivo: “Eu sabia que se descobrissem, as chances de ser contratada seriam praticamente zero. Foi um dos momentos mais humilhantes da minha vida.”

Apesar dos avanços em representatividade e políticas públicas, o mercado de trabalho brasileiro ainda tem um longo caminho a percorrer para oferecer igualdade de oportunidades para mulheres, especialmente aquelas que são mães. “Precisamos normalizar a maternidade como parte da vida de muitas mulheres, sem que isso seja um fator de discriminação. O mercado só tem a ganhar com a inclusão e o respeito à diversidade de vivências”, conclui Maria Eduarda.

A pesquisa da Opinion Box é um lembrete importante de que as barreiras impostas às mulheres não são apenas estruturais, mas também culturais. Combatê-las exige um esforço conjunto da sociedade, das empresas e dos governos para garantir um futuro mais justo e igualitário.

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