Manaus | 4 de junho de 2026 | 16:39:23

Pressão cresce por financiamento climático na COP29 em Baku

Foto:Reprodução

A dois dias do fim da COP29, em Baku, as negociações climáticas enfrentam um impasse crucial em relação ao financiamento necessário para enfrentar os impactos das mudanças climáticas. Os países em desenvolvimento, que já haviam solicitado 1 trilhão de dólares anuais (cerca de 5,7 trilhões de reais) para implementar ações de adaptação e mitigação, continuam sem receber propostas concretas dos países ricos.

A ministra colombiana do Meio Ambiente, Susana Muhammad, expressou sua “preocupação” com o andamento das negociações, afirmando que o processo está muito aquém das necessidades urgentes. “São necessários trilhões de dólares anuais para resolver a escala do problema. E quanto menos investimos agora, mais caro será a cada cinco anos”, destacou. Economistas comissionados pela ONU alertam que os países em desenvolvimento precisam urgentemente desse montante para financiar projetos como centrais solares, sistemas de irrigação e proteção contra inundações nas cidades.

Apesar das declarações de urgência, as propostas de ajuda pública dos países ricos são muito inferiores às exigências. O ministro australiano do Clima, Chris Bowen, mencionou valores entre 440 bilhões e 900 bilhões de dólares, mas esses números não representam ofertas definitivas dos países desenvolvidos. Delegados de nações como Bolívia consideram esses valores “inaceitáveis”, argumentando que são insuficientes diante da magnitude do desafio climático.

Além disso, os países ricos estão exigindo maior clareza sobre como os fundos públicos serão combinados com outras fontes de financiamento, como investimentos privados ou novos impostos globais. Há também um debate sobre a necessidade de países com economias mais fortes, como China e Arábia Saudita, contribuírem para o financiamento climático, uma vez que continuam na lista dos países em desenvolvimento, apesar do aumento substancial de suas economias.

A pressão por um acordo cresce, com o coordenador azerbaijano das negociações, Yalchin Rafiyev, pedindo que as partes “acelerem o ritmo” das discussões. Um novo projeto de acordo pode ser divulgado ainda nesta quarta-feira (20), na tentativa de romper o impasse e chegar a um compromisso que responda adequadamente às necessidades de financiamento para a mudança climática.

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