Em uma votação relâmpago, os vereadores da Câmara Municipal de São Paulo aprovaram nesta terça-feira (12/11), em apenas 23 segundos, um aumento de 37% em seus próprios salários. A proposta, de autoria da Mesa Diretora e presidida pelo vereador Milton Leite (União), passou sem debate em plenário, com apenas três votos contrários e uma abstenção.
O novo reajuste eleva o salário dos vereadores, atualmente em R$ 18.991,68, para R$ 24.754,79 a partir de janeiro de 2025, subindo para R$ 26.080,98 em fevereiro. Esses valores correspondem a 75% do salário dos deputados estaduais, conforme permitido pela Constituição Federal.
A rapidez da votação chamou atenção: entre o momento em que Milton Leite abriu a votação e considerou o projeto aprovado, passaram-se apenas 10 segundos. A sessão foi encerrada logo após a fala de Leite: “Ainda assim aprovado, vai à promulgação”.
Os vereadores Fernando Holiday (PL), Jussara Basso (PSB) e os da bancada do PSol foram os únicos a votar contra o aumento. A vereadora Luna Zarattini (PT) se absteve. Após a votação, o vereador Arselino Tatto (PT) provocou os opositores ao aumento: “Quem votou contra ou se absteve vai se abster de receber o aumento ou vai só jogar para mídia?”, ao que Holiday respondeu prontamente: “Eu ‘tô’ indo embora”. Milton Leite finalizou, informando que os vereadores podem renunciar ao aumento se desejarem, e suspendeu a sessão.
A proposta foi promulgada logo após a aprovação, dispensando a sanção do prefeito Ricardo Nunes (MDB), e teve parecer favorável das comissões responsáveis. A justificativa apresentada pela Câmara foi que o último reajuste salarial dos vereadores havia ocorrido em 2016 e que o aumento acumulado ainda está abaixo da inflação registrada de janeiro de 2017 a outubro de 2024, que chegou a 47,34%.





