Uma intensa mobilização nas redes sociais está gerando pressão sobre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva para apoiar a redução da jornada de trabalho no Brasil para 36 horas semanais, sem redução salarial. A proposta, defendida pela deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP), visa uma mudança na Constituição para diminuir a carga horária, com a criação de uma nova escala de 4×3, ou seja, quatro dias de trabalho e três de folga. A campanha ganhou força com um abaixo-assinado que já conta com mais de 2 milhões de assinaturas e é impulsionada pelo movimento “Pela Vida Além do Trabalho” (VAT), criado por Rick Azevedo, ex-balconista de farmácia e vereador pelo PSOL no Rio de Janeiro.
A mobilização surgiu como uma reação contra a chamada “escala 6×1”, em que trabalhadores, especialmente do comércio, têm apenas um dia de descanso após seis dias consecutivos de trabalho. Azevedo, que viralizou com um vídeo criticando a escala, a descreveu como uma “escravidão moderna” e um obstáculo para a qualidade de vida dos trabalhadores, que ficam privados de tempo com a família e de oportunidades de qualificação profissional.
A proposta de Hilton é vista por seus defensores como uma medida para garantir mais bem-estar aos trabalhadores, sem reduzir seus salários. No entanto, enfrenta resistência tanto de empresários quanto de parlamentares, que temem impactos negativos sobre a economia, como aumento de custos operacionais, desemprego e perdas de produtividade. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, sugeriu que a redução da jornada de trabalho seja discutida através de convenções e acordos coletivos, mas não por uma emenda constitucional. Essa posição foi criticada pelos defensores da PEC, que pedem um posicionamento mais firme do governo de Lula em apoio à causa.
Além da discussão sobre a jornada de trabalho, a resistência à escala 6×1 também coloca em pauta a questão das condições de trabalho no Brasil, particularmente em setores como o comércio e serviços. Enquanto o movimento cresce, a pressão por uma ação concreta do governo se intensifica, e o debate sobre os direitos trabalhistas no país promete ser um dos principais temas nas próximas discussões políticas.





