Mariana Nunes, uma jovem natural de Conceição do Almeida, uma pequena cidade baiana com apenas 17 mil habitantes, transformou sua indignação em luta e, mais tarde, em acolhimento para milhares de pessoas. Aos 13 anos, Mariana presenciou um cenário alarmante dentro da escola: meninas de sua idade estavam se automutilando, uma situação que a chocou profundamente. Movida pelo desejo de mudança, ela criou um projeto de lei sobre saúde mental e foi além, encarando o próprio prefeito em busca de apoio para a causa.
A trajetória de Mariana deu novos passos em 2020, quando, com apenas 18 anos e em meio à pandemia de Covid-19, ela fundou a Rede Autoestima-se. A rede nasceu em um dos momentos mais críticos para a saúde mental no Brasil, à medida que o isolamento social escancarava problemas latentes. “A pandemia foi um divisor de águas para muitos, e percebi que era hora de agir em uma escala maior”, comenta Mariana.
A Rede Autoestima-se é hoje uma rede voluntária de psicólogos que, desde a sua fundação, realizou mais de mil atendimentos online, alcançando mulheres e jovens em cerca de cem cidades brasileiras. A proposta de Mariana é simples e poderosa: oferecer apoio psicológico a quem não tem acesso ou condições de buscar ajuda.
“Conseguimos acolher e orientar pessoas que sofrem violências dentro de casa, situações recorrentes que recebemos desde a pandemia. Jovens que melhoraram seu rendimento escolar, mulheres com renda reforçada, redução do uso de álcool e drogas”, afirma Mariana, emocionada com os resultados.
Para muitos, a Rede Autoestima-se se tornou uma linha de vida em meio ao caos. Mariana conta que o projeto também promoveu mudanças significativas em questões de autoestima, produtividade e na capacidade de enfrentar desafios pessoais. Além disso, jovens que, como ela no passado, lidavam com automutilação e pensamentos destrutivos, agora têm um espaço seguro para buscar ajuda.
Ainda que o projeto tenha começado de forma local, ele rapidamente se espalhou para outros municípios. Conceição do Almeida, por exemplo, já sente o impacto positivo. Mariana foi reconhecida por líderes comunitários e recebeu apoio de outras cidades, e hoje trabalha para que sua rede chegue ainda mais longe.
Mariana Nunes representa uma nova geração que, com poucos recursos, encontrou nas redes sociais e na tecnologia um meio para impactar vidas. Ela acredita que a saúde mental precisa ser uma pauta constante, defendendo a criação de políticas públicas para garantir apoio psicológico nas escolas e comunidades. “Sonho com um país em que cuidar da mente seja um direito acessível a todos”, conclui.










