Manaus | 22 de julho de 2026 | 00:18:28

Estudo brasileiro encontra inseticida DDT em sangue materno e cordão umbilical de recém-nascidos

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificaram, em uma recente pesquisa, a presença do inseticida DDT em amostras de sangue materno e de cordão umbilical. O estudo analisou 139 amostras de sangue materno e 116 de sangue do cordão umbilical, encontrando traços da substância em 22% e 16% delas, respectivamente. Embora o uso do DDT tenha sido proibido no Brasil nos anos 1980 para a agricultura e em 1998 para campanhas sanitárias, a pesquisa, conduzida pelo Projeto Infância e Poluentes Ambientais (Pipa) da UFRJ, revelou que o inseticida persiste nos organismos humanos.

Publicado na *International Journal of Environmental Research Public Health* e financiado pela Faperj e pelo Ministério da Saúde, o estudo revelou uma surpresa: muitas das mulheres analisadas eram jovens, nascidas após a proibição do inseticida no país. Armando Meyer, professor da UFRJ e autor do estudo, explica que o DDT é uma substância extremamente estável, permanecendo no organismo por décadas. Ele destaca a gravidade da contaminação entre gestantes, já que seus fetos estão expostos ao composto desde a gestação.

O estudo ainda revelou uma correlação entre níveis mais altos de DDT e fatores como idade avançada, etnia e obesidade. Recém-nascidos com pontuação de Apgar abaixo de 8 também apresentaram níveis mais elevados do inseticida, indicando possíveis riscos ao desenvolvimento infantil. Pesquisas anteriores já associaram o DDT a problemas de saúde materno-infantil, como parto prematuro, baixo peso ao nascer e obesidade.

O DDT, conhecido por seu potencial pesticida desde os anos 1940, foi amplamente utilizado até os anos 1970, quando começaram a ser descobertos seus efeitos ambientais e à saúde humana. No Brasil, o uso agrícola foi proibido em 1985 e sua utilização foi definitivamente banida em 2009. A substância é classificada como “provavelmente cancerígena” pela OMS, além de estar associada a doenças neurológicas e metabólicas.

A UFRJ planeja ampliar a pesquisa com uma amostra maior, investigando os efeitos a longo prazo da exposição ao DDT no desenvolvimento infantil. “Temos um trabalho em andamento com 950 gestantes e 836 crianças, acompanhadas desde o nascimento por uma equipe multiprofissional. Acreditamos que essa ampliação fornecerá resultados mais sólidos sobre os impactos da substância”, afirma Meyer.

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