Mayana Zatz, nascida em Tel Aviv, Israel, em 1947, e naturalizada brasileira, é uma das mais renomadas cientistas no campo da genética e biotecnologia. Sua trajetória é marcada por grandes conquistas e um compromisso inabalável com o avanço da ciência e o bem-estar social. Desde a infância, Mayana já demonstrava fascínio pela biologia, o que a levou a construir uma carreira brilhante e transformar a vida de milhares de pessoas, especialmente aquelas afetadas por doenças neuromusculares.
Logo após concluir o ensino médio, Mayana ingressou no curso de biologia na Universidade de São Paulo (USP), onde consolidou sua paixão pela genética. Em 1968, concluiu sua graduação e, no ano seguinte, começou a trabalhar em aconselhamento genético para famílias com histórico de doenças neuromusculares. Durante sua trajetória acadêmica na USP, obteve os títulos de mestrado em 1970 e doutorado em 1974, ambos sob orientação do geneticista Oswaldo Frota Pessoa, tornando-se uma referência na área.
Em 1975, Mayana expandiu seus horizontes acadêmicos ao se mudar para os Estados Unidos, onde concluiu seu pós-doutorado na Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), sob orientação de Michael M. Kaback e David Campion. Essa experiência no exterior foi crucial para o desenvolvimento de sua carreira científica, permitindo-lhe adquirir conhecimentos avançados que viriam a beneficiar inúmeras pessoas no Brasil.
Ao retornar ao Brasil, em 1981, Mayana se deparou com uma realidade dura: a falta de tratamentos adequados para pacientes com distrofias musculares. Foi nesse momento que ela decidiu fundar a Associação Brasileira de Distrofia Muscular, uma organização sem fins lucrativos dedicada ao tratamento e apoio de pessoas que sofrem com essas doenças. Hoje, ela ainda ocupa os cargos de diretora e presidente da associação, reforçando seu compromisso com a melhoria da qualidade de vida dos pacientes.
A carreira de Mayana Zatz é repleta de feitos notáveis. Em 1995, ela foi uma das pioneiras a identificar genes ligados a um tipo de distrofia muscular, além de contribuir para o mapeamento do gene responsável pela síndrome de Knobloch. Esses avanços foram fundamentais para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes e abriram portas para novas descobertas no campo da genética.
Além de sua contribuição para a genética médica, Mayana desempenhou um papel crucial na política científica brasileira. Foi uma das principais vozes a favor da pesquisa com células-tronco embrionárias humanas, atuando na aprovação de uma legislação que autoriza esses estudos. Em 2008, o Supremo Tribunal Federal ratificou essa lei, um marco para o desenvolvimento científico no Brasil.
Mayana Zatz é conhecida não apenas por suas conquistas acadêmicas e científicas, mas também por seu envolvimento na ética científica. Sempre preocupada com as implicações sociais e morais de suas pesquisas, ela tem sido uma defensora ativa do uso responsável da biotecnologia. Sua atuação nesse campo foi reconhecida por diversos prêmios ao longo de sua carreira, tanto no Brasil quanto no exterior.
Atualmente, Mayana dirige o Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco da USP, um dos mais importantes centros de estudo de genética do país. Sua liderança e dedicação à pesquisa continuam a impactar gerações de cientistas e a transformar o panorama da saúde pública no Brasil.










