Manaus | 24 de julho de 2026 | 16:41:34

O que está por trás dos comportamentos agressivos na Infância?

Casos de crianças praticando atos de crueldade contra pessoas ou animais chocam a sociedade. Como pode, ainda na infância, uma pessoa demonstrar comportamentos tão violentos e sem remorso? Embora seja raro, isso pode acontecer por diferentes motivos, desde fatores genéticos até traumas e ambientes familiares problemáticos.

 Transtornos mentais afetam mais de 10% das crianças brasileiras

A psiquiatra infantil Tâmara Marques Kenski explica que comportamentos cruéis ou agressivos podem ser reflexo de uma série de questões. “Essas ações podem estar ligadas a fatores genéticos, traumas, medo ou até mesmo um ambiente familiar violento ou negligente. Em muitos casos, a criança pode estar imitando comportamentos que presenciou, seja de adultos ou nas mídias”, afirma Tâmara. Ela também observa que, em algumas situações, o comportamento pode ser uma reprodução de traumas que a própria criança viveu, ou resultado de uma dificuldade em lidar com suas emoções e as dos outros.

Cada caso precisa ser analisado individualmente, levando em consideração todos os fatores por trás do comportamento agressivo. De acordo com o psiquiatra e psicoterapeuta Wimer Bottura, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria, a violência infantil pode ser uma reação momentânea ou um sinal de transtornos psiquiátricos ou psicológicos. “Se for uma questão psiquiátrica, existem tratamentos disponíveis. Porém, se for um transtorno de caráter, a situação é mais complicada”, explica Bottura.

 Psicopatia na infância: é possível?

Embora não exista um diagnóstico oficial de psicopatia em crianças, a psiquiatra Tâmara Marques Kenski destaca que traços antissociais podem ser observados. “Alguns sinais incluem manipulação, falta de empatia, impulsividade e agressividade frequente”, diz a especialista. Ela alerta, porém, que nenhum desses fatores isoladamente constitui um diagnóstico. “É necessário avaliar a criança de forma abrangente e com o apoio de profissionais qualificados”, orienta.

Os tratamentos podem incluir terapias comportamentais, intervenções familiares e orientação escolar. “A intervenção precoce é essencial. Se os pais notarem sinais persistentes de comportamento agressivo, é fundamental buscar ajuda de profissionais especializados em saúde mental infantil”, recomenda Tâmara. O acompanhamento adequado pode fazer uma grande diferença no desenvolvimento emocional e comportamental da criança, prevenindo problemas futuros.

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