Pesquisadores da Universidade de Linköping, na Suécia, indicam que os cães estão passando por uma nova fase de domesticação. Esse fenômeno é impulsionado pela busca humana por animais mais calmos e adequados ao estilo de vida sedentário. O estudo revelou que, ao longo das décadas, os níveis de ocitocina, o “hormônio do amor”, aumentaram nos cães, estreitando seus laços emocionais com os tutores. Hoje, os cães são cada vez mais companheiros, priorizando a interação social com seus donos, em vez de desempenharem funções como caça e proteção, comuns no passado.
Essa nova fase reflete o desejo dos humanos por animais que se encaixem em um estilo de vida urbano, onde a companhia e o conforto emocional são prioridades. O estudo também sugere que cães geneticamente mais propensos a níveis altos de ocitocina têm maior facilidade de pedir ajuda, o que fortalece as interações sociais e a conexão emocional com os humanos.
A transformação dos cães ao longo do tempo
Nos tempos antigos, os cães eram selecionados por suas habilidades práticas. Eles ajudavam na caça, pastoreavam rebanhos ou protegiam vilas e fazendas. No entanto, a urbanização e a mudança no estilo de vida das pessoas também moldaram o papel desses animais na sociedade. Hoje, os cães precisam ser mais adaptáveis a espaços pequenos, como apartamentos, e conviver de forma tranquila em um ambiente doméstico. A domesticação moderna fez com que as características de docilidade e calma se tornassem mais desejadas pelos donos.
Além disso, os cientistas acreditam que essa nova forma de domesticação pode ter implicações a longo prazo no comportamento e na fisiologia dos cães. Ao selecionar animais mais calmos e afetuosos, os seres humanos estão, mesmo que de forma inconsciente, influenciando a evolução dos cães. Esse processo já é visível em raças que são conhecidas por sua tranquilidade e habilidade de interagir bem com humanos, como o bulldog francês e o pug.
O papel da Ocitocina no vínculo entre cães e humanos
A pesquisa conduzida pelos suecos também destaca a importância da ocitocina, um hormônio que desempenha um papel crucial na formação de vínculos sociais. Com a elevação dos níveis desse hormônio, os cães se tornaram mais aptos a buscar o contato humano, criando laços emocionais mais fortes. Esse aumento nos níveis de ocitocina não só fortalece a relação dos cães com seus tutores, como também os faz reagir de maneira mais sensível ao ambiente familiar, tornando-os parceiros emocionais perfeitos para quem busca conforto em um animal de estimação.
A nova realidade dos cães de companhia
A transformação dos cães reflete um aspecto da sociedade moderna, onde o papel desses animais não é mais o de guardiões ou trabalhadores, mas sim o de amigos e companheiros que oferecem suporte emocional e companhia constante. Os laços entre humanos e cães estão mais fortes do que nunca, e essa terceira onda de domesticação é uma resposta direta às novas necessidades e desejos dos donos, que buscam animais capazes de trazer conforto e alegria em uma vida cada vez mais urbana e tecnológica.










