Manaus | 24 de julho de 2026 | 16:41:52

Crescimento maior nas vagas para mulheres reduz desigualdade no mercado de trabalho

Em 2024, o número de vagas formais ocupadas por mulheres cresceu 45,18%, superando o aumento de 10,1% entre os homens no mesmo período. Esse avanço contribuiu para a redução da desigualdade de gênero no mercado de trabalho, segundo estudo do Instituto Brasileiro de Economia da FGV. Apesar disso, os homens ainda ocupam mais vagas e recebem salários maiores.

De acordo com um estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), o crescimento das vagas formais ocupadas por mulheres foi de 45,18% entre janeiro e agosto deste ano, enquanto o saldo de empregos formais para homens aumentou 10,1% no mesmo período. Essa disparidade no crescimento das vagas ocupadas por mulheres em relação aos homens é um reflexo das mudanças no cenário de empregabilidade e da maior inclusão feminina em setores que tradicionalmente eram dominados por homens.

Esses dados indicam um movimento positivo para a equidade de gênero no mercado de trabalho, uma vez que as mulheres têm conquistado espaço em diversas áreas. O estudo, intitulado “Quais os grupos mais beneficiados com o bom desempenho do mercado de trabalho em 2024?”, elaborado pelas pesquisadoras Janaína Feijó e Helena Zahar, revela que o aumento expressivo de vagas para mulheres gerou uma mudança significativa na composição do saldo total de postos formais, tornando-o menos desigual do que em anos anteriores. Em 2023, por exemplo, os homens preencheram 60,4% das vagas, enquanto as mulheres ficaram com 39,6%. Já em 2024, a participação feminina subiu para 46,4%, um avanço que aponta para uma maior paridade no mercado de trabalho.

No entanto, apesar desse crescimento impressionante, os homens ainda ocupam a maioria dos postos formais de trabalho e, em números absolutos, o saldo de vagas ocupadas por eles é maior. Entre 2023 e 2024, o número de postos de trabalho para homens aumentou de 841.273 para 926.290, enquanto para as mulheres, o saldo passou de 551.237 para 800.269. Isso mostra que, embora as mulheres estejam ganhando terreno, há ainda uma predominância masculina em diversas áreas, o que reforça a necessidade de políticas de incentivo para uma maior inclusão feminina.

Diferença salarial persiste

Além da diferença no número de vagas, a desigualdade salarial entre homens e mulheres continua evidente. Em agosto de 2024, o salário médio real de admissão para os homens era de R$ 2.245, enquanto o das mulheres era de R$ 2.031, uma diferença de aproximadamente 10% a 11% em favor dos homens. Essa disparidade é um reflexo das barreiras estruturais que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho, incluindo a predominância em setores com menores salários e a dificuldade de ascender a cargos de liderança.

Mesmo em áreas onde as mulheres conquistaram mais espaço, como em “Vendedores e prestadores de serviços do comércio” e “trabalhadores de atendimento ao público”, seus salários ainda não acompanham os dos homens. Esse cenário reforça a importância de continuar a promover políticas de equidade salarial, que visem garantir que as mulheres recebam remunerações justas e equivalentes às dos homens nas mesmas funções.

Os dados do estudo também mostram que houve uma absorção significativa da mão de obra feminina em ocupações tradicionalmente associadas ao atendimento ao público e serviços, como “Vendedores e prestadores de serviços de comércio” e “trabalhadores de serviços”. Essas categorias tiveram um incremento considerável de vínculos formais para as mulheres, dobrando a participação feminina de 25,1% para 50,1% no setor de vendas e comércio.

Por outro lado, os homens continuaram a registrar maior crescimento em ocupações de funções administrativas, como “Escriturários” (33,4%) e “Trabalhadores de funções transversais” (27,3%). Isso demonstra que, embora as mulheres tenham ampliado sua participação no mercado, muitos setores ainda permanecem predominantemente masculinos, o que reflete uma segmentação ocupacional baseada em gênero.

Embora o crescimento das vagas ocupadas por mulheres em 2024 seja um sinal positivo, o caminho para uma verdadeira equidade no mercado de trabalho ainda é longo. A diferença salarial persistente, a predominância masculina em certas ocupações e a menor representatividade feminina em cargos de liderança são desafios que precisam ser enfrentados.

O estudo destaca que, ao longo dos últimos meses, houve um aumento no número de mulheres empregadas formalmente, mas as barreiras estruturais ainda são evidentes. Para além da inclusão nas vagas, é fundamental garantir que as mulheres tenham oportunidades iguais de ascender a cargos de liderança e que suas remunerações sejam justas.

Com o cenário promissor de 2024, as expectativas são de que, com políticas públicas mais inclusivas e a continuidade do debate sobre equidade de gênero, o mercado de trabalho brasileiro se torne cada vez mais justo e equilibrado, permitindo que as mulheres não apenas ocupem mais vagas, mas também tenham acesso a oportunidades de crescimento e valorização salarial.

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