Manaus | 24 de julho de 2026 | 22:49:57

Desigualdade salarial entre homens e mulheres persiste em Manaus

Apesar de Manaus estar entre as cinco capitais brasileiras com menor desigualdade salarial entre homens e mulheres, as trabalhadoras da cidade ainda ganham, em média, 13,3% menos do que os homens, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do segundo trimestre deste ano. O relatório “Eleições 2024: Grandes Desafios das Capitais Brasileiras”, produzido pelo Instituto Cidades Sustentáveis, destacou que essa diferença salarial permanece como um dos principais desafios para as próximas gestões municipais.

Além de Manaus, outras capitais como Aracaju (12,23%), Boa Vista (8,89%), Macapá (6,34%) e Rio Branco, com a menor desigualdade registrada (3,25%), figuram entre as cidades com menores disparidades de gênero em termos salariais. No entanto, a situação é mais crítica em capitais como o Rio de Janeiro, onde a desigualdade atinge 28,75%, o que significa que as mulheres ganham, em média, apenas R$ 71,25 para cada R$ 100 recebidos por um homem no mesmo cargo.

Especialistas apontam que as gestões municipais têm um papel crucial na redução dessa desigualdade. A oferta de creches e escolas em tempo integral, por exemplo, é uma medida essencial para permitir que mães possam trabalhar com tranquilidade, sabendo que seus filhos estão em ambientes seguros e adequados. Além disso, a concessão de crédito direcionado para empreendedoras é vista como uma importante ferramenta para estimular a autonomia financeira das mulheres, muitas vezes pressionadas a empreender por necessidade.

“Quando a mulher é colocada em um espaço de renda qualificada, com salários de alto valor agregado, estamos gerando mais empregos, movimentando a economia e promovendo um ciclo de desenvolvimento econômico”, afirma Carla Pinheiro, diretora da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Ela enfatiza que, para além de creches e crédito, a flexibilização do horário escolar e a compra pública em empresas geridas por mulheres também são políticas públicas essenciais para reduzir as desigualdades.

A professora Mariele Troiano, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal Fluminense, reforça que é papel dos municípios promover políticas que reduzam essas disparidades no mercado de trabalho. “O poder público municipal tem um papel fundamental na promoção de ações que transformem a realidade social, considerando as desigualdades de classe, raça e gênero”, afirma. Troiano aponta ainda que as mulheres negras e aquelas em cargos de direção enfrentam maiores dificuldades para alcançar remunerações equivalentes às dos homens.

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