Divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O estudo revela que a diferença salarial entre gêneros nas empresas com 100 ou mais funcionários chegou a 20,7%, um aumento em relação aos 19,4% registrados no relatório anterior, publicado em março deste ano.
A situação se agrava ainda mais quando se considera o recorte racial. O relatório destaca que as mulheres negras são as mais prejudicadas no mercado de trabalho. Enquanto a média salarial dos homens não-negros é de R$ 5.464,29, as mulheres negras recebem, em média, R$ 3.565,48, o que representa apenas 50,2% da remuneração de seus colegas homens. A disparidade de até 50% na remuneração expõe uma sobreposição de desigualdades, em que raça e gênero são fatores decisivos para a baixa remuneração.
Essa realidade reflete um problema estrutural que vai além das questões de acesso ao mercado de trabalho. Mesmo quando ocupam as mesmas funções e possuem qualificações semelhantes, mulheres, em especial as negras, continuam recebendo salários significativamente menores que os homens. Segundo especialistas, essa desigualdade é resultado de uma combinação de fatores históricos, sociais e culturais que reforçam preconceitos e discriminações.
A pesquisa do MTE busca, justamente, trazer mais transparência sobre os critérios remuneratórios e incentivar as empresas a adotarem práticas de igualdade salarial. Entretanto, os números mostram que ainda há um longo caminho a percorrer para que o Brasil se aproxime de uma real equidade entre homens e mulheres, principalmente quando a questão racial é incluída na equação.
Apesar dos avanços, a realidade exposta no relatório do MTE indica que mulheres, sobretudo as negras, ainda enfrentam obstáculos profundos no caminho da igualdade no mercado de trabalho. A luta pela equidade salarial, portanto, permanece como um dos grandes desafios da sociedade brasileira.










