Manaus | 24 de julho de 2026 | 14:30:00

Mulheres com Câncer enfrentam desamparo de parceiros em pleno tratamento

O diagnóstico de câncer é um momento devastador na vida de qualquer pessoa, marcado por desafios físicos, emocionais e psicológicos. Para as mulheres, essa jornada pode ser ainda mais árdua devido a uma cruel realidade: o abandono por seus parceiros. Estudos apontam que mulheres diagnosticadas com câncer enfrentam um risco significativamente maior de serem deixadas por seus namorados ou maridos em comparação com homens na mesma situação. Esse cenário expõe as desigualdades de gênero em relacionamentos e aprofunda a vulnerabilidade dessas pacientes.

De acordo com uma pesquisa publicada no *Cancer Journal for Clinicians*, o abandono conjugal é três vezes mais comum entre mulheres diagnosticadas com câncer do que entre homens. O estudo revela que muitos homens não conseguem lidar com o impacto emocional e físico que a doença traz para suas parceiras, levando ao rompimento da relação em um momento em que o apoio é crucial.

“Eu me senti traída, não apenas pelo meu corpo, mas pela pessoa que jurou estar ao meu lado nos piores momentos”, conta Amanda*, de 38 anos, diagnosticada com câncer de mama e abandonada pelo namorado poucos meses após a confirmação da doença. “Eu esperava que o amor e o companheirismo fossem mais fortes que o medo, mas a realidade foi muito mais cruel.”

Especialistas explicam que, além do estresse emocional, o impacto visual e físico causado pelo tratamento — como a queda de cabelo, perda de peso, cicatrizes cirúrgicas ou mastectomias — pode acionar reações inesperadas em parceiros despreparados para lidar com essas mudanças. “Muitos homens tendem a idealizar o relacionamento e, quando a parceira enfrenta algo tão transformador quanto o câncer, eles não sabem como apoiar ou lidar com as transformações físicas e emocionais que acompanham a doença”, explica a psicóloga clínica Renata Morais, especializada em saúde mental e oncologia.

O abandono não só afeta o emocional dessas mulheres, mas pode comprometer diretamente sua saúde. Pacientes abandonadas tendem a enfrentar maiores dificuldades em aderir ao tratamento, além de apresentarem quadros de depressão e ansiedade. O apoio familiar e de amigos, quando existe, passa a ser fundamental, mas muitas vezes é insuficiente para preencher o vazio deixado pela ausência de um companheiro.

Pesquisas indicam que a solidão e o estresse emocional têm efeitos diretos na imunidade e na capacidade do corpo de combater o câncer. Sem o apoio adequado, as mulheres têm mais dificuldades em se concentrar na recuperação. “É um golpe duplo: enquanto o câncer devasta o corpo, o abandono destrói a alma”, reflete Morais.

Apesar desse panorama desolador, há histórias de superação que inspiram outras mulheres a enfrentarem a doença sem depender da presença de um parceiro. Muitas encontram forças em grupos de apoio, terapia e, principalmente, no amor-próprio. Amanda, por exemplo, recomeçou sua vida após o fim do relacionamento: “O câncer me mostrou quem realmente estava ao meu lado. Hoje, me sinto mais forte e estou aprendendo a me amar de novo, com todas as minhas cicatrizes.”

Enquanto o amor pode falhar para algumas, o autocuidado e a busca por apoio emocional e psicológico tornam-se armas essenciais para que essas mulheres superem a doença e as dificuldades emocionais que a acompanham. Em um sistema onde o abandono é recorrente, o fortalecimento individual se torna um ato de resistência e cura.

*Nome fictício para proteger a identidade da entrevistada.

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