Nesta quarta-feira (04), foi realizada a primeira audiência de instrução dos acusados pela morte de Didija Cardoso, ex-sinhazinha do Boi Garantido, ocorrida em maio deste ano. A audiência aconteceu de forma virtual, com a participação de todos os presos diretamente de suas unidades prisionais. Dos 10 acusados, seis continuam detidos. Inicialmente, foram ouvidas as testemunhas de acusação, seguidas pelas de defesa, e, posteriormente, os próprios réus. Devido a complexidade do caso e o número de pessoas envolvidas, serão necessárias outras sessões para a conclusão dessa fase processual.
Um dos pontos mais impactantes da audiência se deu á declaração do Investigador da Polícia Civil, Geraldo Santos, que durante oitiva reiterou que Bruno Roberto da Silva Lima, ex-noivo da ex-sinhazinha estava com ela horas antes da morte e que poderia tê-la ajudado, mas preferiu gravar a jovem enquanto ela vinha a óbito.
Entenda o caso
Didija Cardoso, de 32 anos, faleceu em 28 de maio, e sua morte chocou a comunidade local. A notícia rapidamente se espalhou nas redes sociais, acompanhada de áudios que indicavam desentendimentos familiares e geraram uma onda de apoio e consternação, bem como especulações sobre as causas do falecimento.
Segundo o laudo pericial divulgado, a causa da morte foi atribuída a uma overdose de drogas, resultando em asfixia, congestão e edema cerebral de origem indeterminada. Esses resultados levantaram sérias preocupações sobre as circunstâncias em que Didija viveu nos meses anteriores à sua morte.
Acusações de cárcere privado e rituais
Relatos familiares sugerem que Didija pode ter sido mantida em cárcere privado, e um boletim de ocorrência foi registrado. Vazamentos de áudios indicam a prática de rituais envolvendo substâncias controladas, como anfetaminas. Cleomar Cardoso, tia de Didija, acusa a mãe da vítima, Cleusimar Cardoso, de omissão de socorro, afirmando que Cleusimar impediu a internação da filha.
Ambiente de degradação
Cleomar também denunciou que a casa de Didija se transformou em uma “cracolândia”, frequentada por funcionários do salão Belle Femme, de propriedade da vítima, para o consumo de drogas. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra Cleusimar aparentemente escondendo um frasco de quetamina, substância usada como anestésico veterinário.
Rituais espirituais e uso de drogas
Familiares próximos relataram que Didija, Cleusimar e Ademar Cardoso, irmão da vítima, participavam de rituais que combinavam o uso de drogas com práticas meditativas para alcançar o autoconhecimento e se conectar com o plano espiritual. Cleusimar defendia o uso de substâncias psicodélicas, como cannabis e cogumelos alucinógenos, para se comunicar com entes queridos falecidos, chegando a afirmar que sua filha ressuscitaria em quatro dias.
Crenças espirituais extremas
Ademar, por sua vez, compartilhava nas redes sociais suas crenças sobre a “Roda de Samsara”, conceito budista de renascimento contínuo. A família seguia uma mistura de budismo, espiritismo e xamanismo, utilizando drogas enteógenas para buscar uma conexão com o universo cósmico.
Vídeos e áudios perturbadores
Vídeos que vazaram mostram a mãe e o irmão de Didija reagindo com calma perturbadora ao encontrarem a jovem morta, acreditando que ela estava em um transe espiritual. Em outro vídeo, Audrey Silveira, namorada de Ademar, aparece em estado delirante, segurando uma seringa, supostamente após aplicar quetamina em si mesma.
Graves acusações
Áudios divulgados por familiares acusam Cleusimar e Ademar de terem drogado Maria Venina, avó de Didija, com anabolizantes, o que teria levado à morte da idosa.
O caso de Didija Cardoso levanta questões cruciais sobre o uso de drogas, saúde mental e o impacto de crenças extremas. Que sua história sirva de alerta para a importância de cuidar de nossa saúde e de proteger aqueles ao nosso redor.







