O projeto “Empreendedoras da Floresta”, lançado recentemente pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) em parceria com o L’Oréal Fund for Women, está transformando a vida de 60 mulheres indígenas e ribeirinhas no Amazonas. Com foco em capacitação para o empreendedorismo, gestão de negócios e acesso ao mercado, a iniciativa visa não apenas o desenvolvimento econômico, mas também o fortalecimento cultural e a independência dessas artesãs.
Ao longo de três anos, o projeto proporcionará uma jornada empreendedora dividida em módulos que abordarão temas como cultura empreendedora, inovação, criatividade, marketing, redes sociais e educação financeira. Além de oficinas, as participantes receberão mentorias financeiras e capital semente para desenvolver produtos inovadores da bioeconomia amazônica.
O lançamento do projeto ocorreu na comunidade indígena Três Unidos, à margem do rio Cuieiras, na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Negro, a 60 quilômetros de Manaus. Lá, 75 mulheres participaram do “1º Encontro de Empreendedoras da Floresta”, onde compartilharam conhecimentos e experiências durante a abertura do módulo de Formação Empreendedora.
A artesã Ingrid Diniz, moradora de Três Unidos, destacou a importância desse encontro, onde mulheres com diferentes níveis de experiência trocaram saberes e se uniram para criar novos produtos combinando materiais de suas respectivas regiões. “A oficina juntou mulheres diferentes. Trouxe a mulher que tem 40 anos de artesanato, e a mulher que tem quatro meses. […] Nós aprendemos a fazer a junção desses dois materiais e criar um produto novo”, afirmou Ingrid.
Além de incentivar o desenvolvimento de novos produtos, o projeto promove o empoderamento feminino, valorizando a identidade e a cultura local. A facilitadora Rozana Trilha, da Associação Zagaia Amazônia, ressaltou a importância de resgatar as raízes ancestrais e o legado das famílias para fortalecer a autoestima e o senso de pertencimento das participantes. “É importante trabalhar esses temas para não ficar só em discursos globais, em territórios que não são nossos”, afirmou.
O “Empreendedoras da Floresta” também busca valorizar o artesanato como uma ferramenta de empoderamento e independência financeira para as mulheres da região. Para Regina Ramos, da comunidade Carão, a oficina despertou o orgulho pela cultura cabocla ribeirinha e reforçou o papel do artesanato na valorização de sua identidade. “Através das biojoias, busco criar peças que falam da nossa cultura e vivência ribeirinha, para mostrar que me orgulho de ser cabocla”, declarou.
Segundo Valcléia Solidade, superintendente de Desenvolvimento Sustentável da FAS, o projeto vai além do apoio às artesãs, contemplando também o desenvolvimento pessoal e a liderança nas comunidades. “Buscamos desenvolver nessas mulheres a capacidade de se empoderar em suas ações, que elas possam ser resilientes diante do cenário que vivem e como se fortalecer”, explicou.
O projeto, que integra as ações do Programa de Empreendedorismo e Negócios Sustentáveis da Amazônia (PENSA) da FAS, é mais uma iniciativa que reforça o compromisso da organização com o desenvolvimento sustentável da região, apoiando as mulheres que desempenham um papel crucial na conservação da floresta e na valorização da cultura local.








