Manaus | 27 de agosto de 2026 | 15:53:05

Brasil é o país do continuísmo

Com o efetivo início das campanhas eleitorais por todo o Brasil, vale a pena se debruçar sobre o cenário político nacional que se apresenta neste ano. Recentemente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou dados que confirmam a manutenção de um perfil de candidatos bastante semelhante ao observado nas eleições municipais de 2020. A predominância continua a ser de homens, que se identificam negros, casados, com idade média de 46 anos e com ensino médio completo.

São cerca de 53% dos candidatos que declararam ser pardos ou pretos, uma tendência que tem sido vista desde 2020, quando a proporção de candidatos negros começou a superar a de candidatos brancos, refletindo uma maior representatividade da população negra no cenário político. Mas será que isso representa algum avanço no que diz respeito à políticas de inclusão, ou é apenas manobra para que os partidos atinjam o mínimo de candidaturas negras?

Com relação às mulheres, mesmo com tantas ações para alavancar a participação feminina nas eleições, tem-se uma estagnação de candidaturas delas, pois os 34% de registros confirmados pelo TSE são bem semelhantes aos de 2020. E isso é um fato que continua chamando a atenção, pois as mulheres são 51,5% da população brasileira, e essa sub-representação no cenário eleitoral continua apontando para desafios na promoção da igualdade de gênero na política.

Um aspecto interessante a ser analisado é a queda de 19% no número total de candidaturas em comparação com 2020. Neste ano, serão 453 mil candidatos, o menor número de candidaturas registradas nas últimas cinco eleições. Quanto a isso, pode-se levar em consideração alguns aspectos como a diminuição no número de partidos, a limitação de candidatos por sigla, mas também não pode ficar de fora a percepção pública da eficácia e integridade do processo político. Os eleitores têm sido apresentados a uma nova forma de “se fazer política”, a de que “vale-tudo” para viralizar nas redes sociais, e que podem estar trazendo consequências como essa.

De todos esses números divulgados uma coisa é certa: O Brasil é o país do continuísmo, pois apresenta pouca variação de seus agentes políticos ao longo dos processos eleitorais. Por mais que pareça que a população deseje mudança os números revelam exatamente o contrário, e a consequência disso é o mais do mesmo.

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