Manaus | 25 de julho de 2026 | 08:31:12

“Como mãe luto contra o machismo para manter minha carreira e a guarda da minha filha”

TORONTO 2015 ATLETISMO 1500 METROS RASOS Destaque para Flavia de Lima. Foto:Sergio Dutti/Exemplus/COB

“Eu sou a Flávia Maria de Lima, tenho 31 anos, sou uma atleta de alto rendimento de atletismo e estou classificada às Olimpíadas. Só tem um problema. Os Jogos serão em Paris e não tem como disputá-los sem ir pessoalmente à França.

Por causa disso, eu posso perder a guarda da minha filha de 6 anos. Mas nem precisava ir tão longe, literalmente. Cada viagem que fiz para buscar a vaga olímpica, mesmo dentro do Brasil, foi informada à Justiça pelo genitor da minha filha como argumento para tentar demonstrar a absurda ideia de que estou abandonando-a.

Ao longo da história dos Jogos Olímpicos, sabe-se lá quantas dezenas de milhares de atletas homens competiram. Eles sempre foram maioria, afinal. Imagine quantos eram pais. Mas nenhum nunca foi acusado de abandonar os filhos por trabalhar como atleta para o sustento deles. Eu sou, e só porque sou mãe, logo, mulher.

Por anos minha carreira esportiva foi prejudicada pelo machismo. Hoje ele segue presente, tentando me boicotar. Mas agora eu digo: ‘nunca mais’.”

Flávia Maria de Lima, de 31 anos, atleta de alto rendimento de atletismo, está classificada para as Olimpíadas em Paris. No entanto, enfrenta a possibilidade de perder a guarda de sua filha de 6 anos devido às constantes viagens necessárias para competir. O genitor da criança utiliza essas ausências como argumento judicial, acusando-a de abandono, um preconceito raramente enfrentado por atletas homens.

Ao longo de sua carreira, Flávia lidou com a falta de apoio financeiro, uma rotina exaustiva de cuidados com a filha e trabalho doméstico, e a constante tentativa de desestabilização emocional e profissional por parte do ex-companheiro. A atleta destaca a importância da sororidade feminina e do apoio de uma amiga que cuidava de sua filha para que pudesse treinar.

Apesar dos desafios, incluindo uma lesão grave e a falta de infraestrutura adequada para treinar, Flávia perseverou. Com o apoio de uma academia local e patrocínios, conseguiu competir na Europa e garantir sua vaga nas Olimpíadas. Sua história é um testemunho de resistência contra o machismo e um exemplo para outras mulheres de que é possível superar obstáculos impostos pelo preconceito de gênero.

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