Um pastor da Assembleia de Deus, Washington Almeida, gerou polêmica nas redes sociais após afirmar durante um culto em Tucuruí (PA) que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é causado pela “visita do diabo no ventre” da mãe durante a gravidez. A declaração, considerada discriminatória, repercutiu amplamente após um vídeo da pregação ser compartilhado online.
Durante sua fala, o pastor alegou que muitos bebês estão nascendo com autismo devido a essa suposta interferência demoníaca. “Em cada 100 crianças que nasce, nós temos um percentual gigantesco de pessoas em ventres visitadas e manipuladas pela escuridão. As crianças hoje, a cada 100, nós temos 30 de autistas, em vários graus”, afirmou Almeida.
Ele tentou justificar a origem do autismo com explicações espirituais. “O que está acontecendo? O diabo está visitando o ventre das desprotegidas, aquelas que não têm a graça, a instrumentalidade para saber lidar com o mundo espiritual. E ele [diabo] só procura os vulneráveis, os desassistidos”, completou.
Na noite desta terça-feira (16), Washington Almeida emitiu um pedido público de desculpas. “Estou aqui para me retratar de uma fala enquanto eu ministrava. Quero me retratar com os autistas, com os pais de crianças autistas. Fui muito infeliz quando fiz uma colocação, e esse não é o meu caráter, meu perfil. Jamais no meu coração passam coisas dessa natureza. Naquele calor da mensagem, falei algo que não podia dizer, não devia falar”, disse em vídeo.
A declaração original do pastor foi amplamente criticada por especialistas e ativistas que defendem os direitos das pessoas com autismo, ressaltando a necessidade de conscientização e respeito ao abordar temas relacionados à saúde mental e ao desenvolvimento infantil.






