O Amazonas está entre os 10 estados que mais mataram pessoas trans, de acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA). Em 2023, foram registrados 38 casos, colocando o estado em 9° lugar no ranking de violência contra a população trans.
A inserção no mercado de trabalho é uma dificuldade social e histórica, especialmente para grupos marginalizados. Mariellen Kuma, mulher trans e doutora em Genética, Conservação e Biologia Evolutiva, enfrentou esses desafios com uma carreira diversificada. Além de ser professora de yoga, ela é atriz, performer, produtora e gestora do KUMA Espaço de Criação.
Originalmente uma escola de yoga, o KUMA se transformou durante a pandemia junto com a transição de Mariellen, acolhendo artistas universitários da dança, teatro e outras áreas, promovendo um espaço inclusivo para ensaios e apresentações. Desde 2020, o projeto Incubades recebe um artista por ano, culminando em um espetáculo ou oficina.
“Tudo que eu tenho feito nesses últimos 4 anos é pensado que são coisas que eu queria ter recebido. Quando eu entrei na faculdade, era o que eu esperava de respeito e acolhimento. Aqui a gente consegue criar esse ambiente seguro e é uma satisfação muito grande poder estar entre nós e fazer arte”, comenta Mariellen.
Em 2024, o KUMA Espaço de Criação foca em produções artísticas com um grupo majoritariamente de artistas trans e travestis, desenvolvendo projetos apoiados pela Lei Paulo Gustavo. Entre as iniciativas deste ano, destacam-se a residência artística com Isadora Ravena, o solo de Mariellen “Abaporutação Travesty” em maio, e a produção atual “A Doente Hereditária”.
“Graças a essas ações afirmativas, à pontuação diferenciada para pessoas PCD, trans e negras, conseguimos pegar bastante projetos e estamos o ano inteiro trabalhando só com isso. Eu parei de dar aula de yoga este ano para poder me dedicar aos projetos que foram captados”, declara Mariellen.
*A Doente Hereditária*
O espetáculo idealizado por Mariellen Kuma é uma adaptação do texto francês “O Doente Imaginário” de Molière, realizada por Dimas Mendonça. Em agosto, a peça vai aos palcos, contando com Duca Vieira, Juma, Pedro Silva, Thomás Brito, Gab Bianca e Ray Dias em cena. A direção e dramaturgia são de Dimas Mendonça, com assistência de direção e preparação de elenco de Ananda Guimarães. A produção é de Mariellen Kuma, iluminação por Lu Maya, sonoplastia por Dante Abner, maquiagem por Wendy Lady Oha e figurino por Lady Oha Styling.











