Que desafio!
É audacioso e até surreal escrever para tantas pessoas, sobre uma realidade externa macro, mas interna – micro. Explico mais adiante. Mas, como o convite foi feito e aceito, me sinto liberto de obrigações, mas comovido com a riqueza de possibilidades que afloraram, as inúmeras percepções que surgiram e a vontade de discorrer. Considero que seriam necessárias muitas edições para proporcionar uma leitura holística da nossa realidade. Sim, sou amazônida.

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O Norte existe, pasmem! E não apenas em sua localização geográfica, mas em diversos aspectos. Mesmo possuindo um dos maiores biomas da terra e infindas ligações ancestrais, as reais conexões (físicas, geográficas, biológicas ou ainda tecnológicas) são muito insuficientes. Quiçá nos próximos 150 anos (previsão minha) algo mais sólido se estabeleça.
Não existe pessimismo em minhas palavras, muito menos fundamentos oníricos, mas a exposição de fatos que divergem de muitas informações difundidas de forma errônea. É bastante engraçado dialogar, diariamente, com dúvidas sobre nosso modus vivendi, nossa relação com a tecnologia ou com o mundo globalizado; e ainda com/sobre nossa interação cultural.

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Manaus hoje comporta mais de 3,2 milhões de habitantes, e se formos incluir os arredores, se perde a certeza da contabilidade. Em 1998 ter um celular era mais que artigo de luxo, era destinado aos grandes representantes de famílias poderosas ou estrangeiros que aqui chegavam para trabalhar, ou para o turismo ecológico (na época ainda em ‘teste’).

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Hoje, 25 anos depois, ter um aparelho celular, ou smartfone, é necessidade, ao mesmo tempo que uma obrigatoriedade quase doentia, já que o tempo no virtual supera o real; e ainda os casos graves de crimes que migraram para esse ambiente nos últimos 10 anos. Sem contar que diversos sintomas e manifestações de distúrbios pela falta, ou excesso, sejam comprovados e pontos de atenção para com a saúde mental e a manutenção intelectual.
A transculturalidade de fenômenos sociais, a IoT (Internet of Things), a inteligência artificial e as múltiplas leituras de um mesmo fato, via aplicativos ou portais, se tornam parte integrante da Amazônia. Há detalhes pontuais que precisam, e muito, de um olhar atento, afinal o caminho da metrópole é, sem dúvida, o cosmopolitismo de uma possível megalópole das selvas.

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Há muitos aspectos que compõem a realidade sociocultural do Norte, mas concentrarei no que observo e vivo em minhas andanças. A cultura indígena, ou melhor, dos povos originários, continua muito forte; mesmo que existam regiões onde a aculturação seja visível, ainda assim os aspectos fechados daquela etnia são preservados pela oralidade.
Aqui se estabelece o maior festival folclórico do Norte, em Parintins, onde, a olhos nus, 2023 não comportou a quantidade de público presente no quesito hospedagem. Isso proporcionou um viés muito interessante, as acomodações flutuantes dentre outras, o que prova que a criatividade é exercida. Um problema geográfico-estrutural de nossa região se dá no deslocamento, já que não há estradas de terra que ligam os municípios à capital, mas os caminhos de rio. Então, as viagens internas ou são muito demoradas, ou com valores que se aproximam de trechos intercontinentais.

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Essa falha no sistema cria posturas de comunicação incorretas, paradigmas da instantaneidade dos acontecimentos, choques culturais e visões equivocadas do que se vive, do que se é. Ainda assim. Manaus é hoje o 41° destino turístico do mundo, segundo extensa matéria do New York Times, e o grande foco é a flora, a fauna e alguns vieses de turismo como o ecológico, o de aventura, o cultural e o esotérico. Há, ainda, uma pujante presença científica devido à Biotecnologia e à fitoterapia.
Em termos de cultura, as peculiaridades da região são mantidas, a culinária respeitada e ousa em fazer releitura de pratos internacionais com insumos exclusivos da região. É de extremo regozijo ver a reação de quem chega e se depara com a arquitetura moderna frente o centro histórico e os palacetes remanescentes dos tempos áureos do apogeu da borracha, bolsas de grife famosas, carros sofisticados e grandes centros comerciais.

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No país, no futebol. Manaus não possui o maior estádio, mas detém o título do mais bonito e suntuoso: a Arena da Amazônia, que em sua estrutura traz a representação da ancestralidade amazônida.
Mas e onde se encontram as visões do autor sobre o futuro?
De forma simples posso dizer que mesmo com detalhes específicos da região, tudo é adaptado a realidade local. Ritmos, grandes eventos, investimentos fora da região, aquisição de tecnologia estrangeira que também se faz presente na economia local através da produção em larga escala da Zona Franca de Manaus. Ainda o turismo, que está se fortalecendo após Manaus ter sido o epicentro da pandemia e seus devastadores fatores, ganha novos ares com os segmentos supracitados.

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É mister escrever sobre a floresta, mas é deveras urgente olhar para a biotecnologia por meio de pesquisas comprovadas e estudos em andamento com nanopartículas e encapsulamento de fitoterápicos, em técnicas ancestrais, e até ritualísticas, de tratamento de enfermidade e, impossível deixar de citar, a força mística que a região exerce sobre quem chega, sobre quem fica e sobre quem vai.

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A Amazônia não é apenas uma região, um bioma ou um campo de estudos diversos, mas uma real deidade manifestada do que o mundo ainda possui de mais puro e genuíno, a sua conexão energética e cognitiva com o que habita nas experiências hodiernas dos que a elas se conectam. Logo, não há inteligência artificial ou técnicas holográficas que substituam o que o diálogo com o/os outros (o diferente) proporciona para ambos.









