Manaus | 4 de junho de 2026 | 13:57:57

Chico Buarque completa 80 anos de vida, polêmicas e uma extensa obra

Hoje, Francisco Buarque de Hollanda, ou apenas Chico Buarque, celebra 80 anos de vida, desafios e centenas de sucessos. Com tantos momentos históricos e posicionamentos ímpares na vida brasileira, sua obra transcende gerações que se interessam pelas múltiplas facetas desse artista que é considerado, pela crítica especializada, como o maior artista vivo da Música Popular Brasileira.

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Foto: Divulgação.

Desde peças de teatro até crônicas, Chico possui uma obra com números que impressionam. Mais de cinquenta discos lançados, dezoito videografias, dez livros, cinco peças de teatro, além de sete filmes. Sua discografia conta com aproximadamente cem discos, entre discos-solo, em parceria com outros músicos, e compactos. É compositor de “Construção”, considerada uma das melhores músicas brasileiras já feitas.

Buarque apresenta diversos prêmios, dentre eles o Jabuti de literatura com 7 vitórias, o prêmio Camões em 2019, o Prêmio da Música Brasileira com 10 vitórias e a distintiva marca de 11 indicações ao Grammy Latino, vencendo 03 até o momento, sendo o mais recente de 2018.

Filho do historiador Sérgio Buarque de Holanda e da intelectual Maria Amélia Buarque de Holanda, Chico Buarque se destaca por composições musicais, mas também no teatro, literatura e ativismo político.

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Foto: Divulgação.

Quando foi ameaçado pelo regime militar, se autoexilou na Itália em 1969, onde chegou a fazer espetáculos com Toquinho. Nessa época, teve suas canções “Apesar de você” (que dizem ser uma alusão negativa ao presidente Emílio Garrastazu Médici, mas que Chico sustenta ser em referência ao momento) e “Cálice” proibidas pela censura brasileira.

Adotou o pseudônimo de Julinho da Adelaide, com o qual publicou apenas três canções: Milagre Brasileiro, Acorda, Amor e Jorge Maravilha. Na Itália, Chico tornou-se amigo do cantor Lucio Dalla, de quem fez Minha História, versão em português (1970) da canção Gesù Bambino, de Lucio Dalla e Paola Palotino.

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Foto: Divulgação.

Julinho da Adelaide, aliás, não era só um pseudônimo, mas sim a forma que o compositor encontrou para driblar a censura, então implacável ao perceber seu nome nos créditos de uma música. Para completar a farsa e dar-lhe ares de veracidade, Julinho da Adelaide chegou a ter cédula de identidade e até mesmo a conceder entrevista a um jornal da época.

Ao voltar ao Brasil, continuou com composições que denunciavam aspectos sociais, econômicos e culturais, como a aclamada “Construção” ou a divertida “Partido Alto”. Apresentou-se com vários artistas, dentre eles Caetano Veloso e Maria Bethânia.

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Foto: Divulgação.

Uma das canções de Chico Buarque que criticam o regime é uma carta em forma de música, uma carta musicada que ele fez em homenagem a Augusto Boal, que vivia no exílio, quando o Brasil ainda vivia sob o regime militar. A canção se chama “Meu Caro Amigo” sendo dirigida a Boal, que na época estava exilado em Lisboa. A canção foi lançada originalmente num disco de título quase igual, chamado “Meus Caros Amigos”, do ano de 1976.

Seus mais recentes trabalhos são o livro “Anos de chumbo” de 2021 e o álbum ao vivo do disco de estúdio “Caravanas“. “Caravanas – Ao Vivo” foi lançado em 2018.

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Foto: Divulgação.

Ao longo da carreira, foi parceiro como compositor e intérprete de vários dos maiores artistas da MPB, como Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Toquinho, Milton Nascimento, Ruy Guerra e Caetano Veloso. Seus parceiros mais constantes são Francis Hime e Edu Lobo.O Museu da Imagem e do Som (MIS) preparou como celebração aos 80 anos do artista a exposição “CHICO 80”. A programação especial reverencia a obra, sem paralelo, e repleta de ramificações que o compositor construiu ao longo de seus sessenta anos de carreira em diversas frentes.

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Foto: Divulgação.

O canal Arte1 (@canalarte1) lança para celebrar o aniversário de 80 anos de um dos maiores artistas do Brasil, o cantor e compositor Chico Buarque, comemorado hoje, dia 19 de junho, a série “A Banda do Chico”. Dividida em sete episódios, a produção original do canal faz um retrato intimista de cada um dos músicos que acompanham Chico por pelo menos 25 anos e que são responsáveis pela sonoridade única que marca a obra do ícone nacional. O percussionista Chico Batera protagoniza o capítulo de estreia. Batera toca com Chico há 50 anos, antes mesmo de uma formação fixa ser adotada, o que aconteceu nos anos 80. “A Banda do Chico”: estreia no sábado, dia 22, às 21h30.

E o Amazonas não poderia ficar de fora. Alguns fãs enviaram para o site A Repórter alguns depoimentos:

“Chico Buarque é completo como artista, poeta, letrista e considero um dos maiores! A música Folhetim, famosa na voz da Gal, traz minha mãe de volta e eu me lembro, claramente, dela costurando para nos sustentar! Seus livros Budapeste e Estorvo são um espetáculo extra.”

Minhas múscias favoritas são: Cotidiano, Com açúcar com afeto, Construção, Sob Medida e Pedaço de Mim são obras primas.” – Maria 67 anos

Cálice e Gente Humilde são lindas, mas “Olhos nos olhos” cantada por Maria Bethânia me evoca a força da afronta e essa canção é a superação de um ser humano” – Cláudio 41 anos.

“A genialidade de Chico é explícita ao retratar o comportamento humano visando a conveniência social, característica presente em várias de suas obras, em particular em “Geni e o Zepelim” – Ronaldo 27 anos.

O radialista Ney Amazonas, um dos maiores nomes na divulgação da Música Popular Brasileira no Norte do Brasil, cedeu com exclusividade um depoimento sobre Chico:

Chico Buarque é um dos mais importantes e consagrados artistas da música e da literatura brasileira.
Politizado, Sensível, Sagaz, Trovador, e que entende e escreve sobre à alma feminina como poucos.
Entre tantas obras primas eu destaco: Apesar de Você, Construção, Vai Passar, Olhos nos Olhos e O meu Amor.

Aqui na versão original com Elba Ramalho e Marieta Severo (que já foi casada com o cantor).

A cantora amazonense Felicidade Suzy, participou do Songbook volume 06, da obra do cantor com a emblemática – “Vida” – ouça no spotify:

Ainda por conta das celebrações, Chico Buarque ganha dois títulos neste mês de junho de 2024. O primeiro é “O que não tem censura–nem nunca terá: Chico Buarque e a repressão artística durante a ditadura militar”, livro em que o jornalista Márcio Pinheiro conta a luta do artista contra o autoritarismo e a censura decorrentes do golpe militar deflagrado em 1964 e arrochado em 1968.

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Foto: Divulgação.

O outro, Chico Buarque em 80 canções, escrito por André Simões e publicado pela editora 34, tem capa que estampa foto do artista em 1984 diante das lentes de Cafi (1950 – 2019).

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Foto: Divulgação.

Para os fãs e admiradores do cantor sugerimos um excelente playlist.

Uma resposta

  1. Parabéns Ricardo Lins pela linda e bem pesquisada matéria sobre Chico Buarque. Informações preciosas e marcantes da trajetória desse tão importante artista brasileiro.
    Você está fazendo uma linda e justa homanagem por toda a grande contribuição de Chico para a cultura do nosso país.

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