O Atlas da Segurança Pública 2024, divulgado nesta terça-feira (18), revela que o número de homicídios, no Amazonas, cresceu 31,8% entre 2012 e 2022. O percentual coloca o Amazonas como quarto estado mais violento e vai na contramão do cenário nacional, que registrou queda de 18,6% no número de homicídios, no mesmo período.
Já a taxa de homicídios, que considera um assassinato a cada 100 mil habitantes, aumentou 11,8% entre 2012 e 2022. Por outro lado, o mesmo dado revela que houve uma queda de 4,1% nesse mesmo índice entre 2021 e 2022, últimos anos pesquisados. A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) ressalta que os homicídios estão atualmente em queda.
O Atlas da Segurança Pública é produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Os dados revelam que o alto número de homicídios é observado em outros estados da região Norte e estão associados a uma série de fenômenos, como os crimes ambientais, disputas territoriais e de facções.
“Vários estados do Norte do país, por estarem sujeitos à atuação intensa de pelo menos dez organizações criminosas internacionais com atuação em regiões de fronteira e por possuírem quantitativo populacional menor, possuem maiores variâncias nas taxas de homicídio ao longo do tempo, uma vez que contendas locais ligadas ao narcotráfico já são suficientes para impulsionar substancialmente os indicadores, como é o caso do Amapá e do Amazonas”, analisa o Atlas.
O estudo detalha ainda mais o cenário da região na publicação secundária ‘Atlas da Violência 2024 – Retrato dos Municípios Brasileiros’. Segundo a análise, pela primeira vez na série histórica, o Amazonas apresentou a maior taxa de homicídios estimados da região Norte (43,5) e a segunda maior do Brasil.
Os dados foram elevados, principalmente, pelos resultados em Iranduba (98,1) e Coari (83,6), mais próximos da capital Manaus (55,7) em comparação a Tabatinga (95,9), no sudoeste amazonense, no Alto Solimões. O Atlas associa essa alta taxa de homicídios aos conflitos de facções pelo controle do tráfico de drogas.
Além do narcotráfico, o Atlas da Violência destaca que o Amazonas sofre com a combinação desse crime com outros como tráfico de armas, grilagem de terra, exploração ilegal de madeira e minérios, lavagem de dinheiro, trabalho análogo à escravidão, exploração sexual, invasão de terras indígenas e diversos crimes ambientais.






