Manaus | 4 de junho de 2026 | 16:11:36

Terapia com Canabinoides. Até que ponto estamos prontos para essa conversa?

É sabido que pessoas, com menos de 25 anos, que fazem uso frequente de maconha, sofrem efeitos prejudiciais ao cérebro. Estudos frequentes demonstram essa questão. Mas quando a Cannabis é utilizada com fim medicinal, tem sua quantidade adequada, tanto médico quanto paciente estão assistidos e caminhando para um viés positivo.

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Foto: Unsplash

Cannabis é uma fronteira. A medicina nunca mais será a mesma” segundo o Dr. Luiz Paulo Neto Sarmento. A terapia com a planta se torna uma medicação benéfica e com diminutos efeitos colaterais, se comparada com uma série de outros remédios utilizados com o mesmo fim.

As universidades garantiram o direito ao cultivo e à pesquisa. Para a médica Isolda Araújo é uma hipocrisia a discussão se a Cannabis funciona ou não. É falta total de informação e noção quem discute, e duvida, sobre o potencial terapêutico da planta.

Os principais estados da federação estão cogitando a inclusão dessa terapia no Sistema Único de Saúde (SUS), e o debate se estende desde 2019. O que será enfrentado pela ciência e pela medicina brasileira nos próximos anos? Estaremos vivendo sob políticas ultrapassadas ou há algo extra? Estamos preparados para esse debate?

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Foto: Canstock

Para que você entenda: O canabidiol (CBD) é um canabinóide da Cannabis sativa, ou seja, um composto da maconha, mas não é psicoativa e nem tóxica. O CBD é um dos mais de 80 canabinóides presentes na planta. Ele é extraído do caule e das folhas da planta e a substância não é psicoativa nem tóxica. O que promove o efeito alucinógeno é o tetraidrocanabinol (THC), substrato da resina e da flor da Cannabis sativa. É ele o responsável pela alteração de raciocínio, os lapsos de memória, a gradual perda cognitiva e dependência – como informa o Conselho Federal de Medicina (CFM). Mas sua aplicação pode trazer, de fato, novas perspectivas sobre a analgesia no tratamento da dor?

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Foto: Dreamstime

Para o Dr. Vinicius Mesquita, a importância de falar sobre a Cannabis é total, porque é até uma questão de renivelação civilizatória que o Brasil tem que passar para acompanhar países que estão mais desenvolvidos no assunto. Então é importante discutir, conversar e levar conhecimento. Pois a ignorância é o que gera o sofrimento.

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Foto: Burst

Como podemos cobrar dos governantes para que adotem uma política adequada para a Terapia com Canabinoides?

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Confira com exclusividade, a entrevista concedida ao site A Repórter pelo médico psiquiatra, e pesquisador, Dr. Allonson Reis que traz informações importnates sobre o uso da Terapia com Canabinoides.

A Repórter – A ASCO (Sociedade Americana de Oncologia) reconhece a terapia canabinoide no tratamento do câncer. Em quais casos de câncer, ou estágios da doença, ela deve ser administrada?

Dr. Allonson – ASCO é bem enfática nas indicações clinicas e suportivas do canabidiol para auxiliar o paciente com algum tumor, mantendo sua posição de neutralidade quanto ao inicio da medicação à base de canabis, sem indicações para utilização como um fator anticancerígeno ou por fator protetor de evolução tumoral.

Sendo indicada para complemento aos tratamentos antieméticos convencionais e alivio também de comorbidades que costumam cursar com sentimentos de ansiedade, depressão, dores, apetite e na qualidade do sono e de vida no geral. Nesse sentido, o painel de especialistas da ASCO recomenda que mais pesquisas aconteçam nessa área com evidências mais robustas e relevantes para demais indicações.

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Foto: Shutterstock

A Repórter – O uso da terapia canabinoide diminui as náuseas e o vômito, a ação ansiolítica e anti-inflamatória e redução de dores crônicas e neuropáticas. É possível abranger seu uso em outras doenças? Quais seriam as mais indicadas?

Dr. Allonson – As primarias e únicas indicações reconhecidas pela ANVISA para o uso do canabidiol seriam para as epilepsias refratarias, de difícil manejo e controle ineficaz com as medicações anticonvulsivantes, sendo que observamos com os estudos e pelo conhecimento do sistema endocanabinóide que conseguimos otimas respostas terapêuticas quando bem utilizadas nas proporções corretas de CBD e THC para cada individuo especifico, como as citadas na pergunta “diminui as náuseas e o vômito, a ação ansiolítica e anti-inflamatória e redução de dores crônicas e neuropáticas”

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Foto: Divulgação

A Repórter – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou o Canabidiol para uso medicinal de medicamentos à base de Cannabis, desde 2015, ou seja,quase uma década, reconhecendo seu viés terapêutico. O composto deixou de fazer parte da lista de substâncias proibidas, para ser substância de uso terapêutico permitido, mas sujeito a controle. Isso poderia fomentar um pensamento que direcione para a liberação da maconha e sua utilização, por exemplo, para fins recreativos?

Dr. Allonson – Creio que com a atual politica e os políticos que a conduzem, na atualidade vai surgir sempre algo que dificulte esse caminho, que já está sendo feito por diversos paises desenvolvidos do mundo. Acredito que qualquer forma de uso consciente da Cannabis, sempre tendo o acompanhamento de um profissional capacitado, vai trazer efeitos positivos e relaxantes.

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Foto: Burst

A Repórter – O CBD não possui efeito psicoativo, sendo anti-inflamatório, ansiolítico e anticonvulsivante. É possível então pensar em seu uso terapêutico para situações crônicas, como fibromialgia, transtorno geral de ansiedade, epilepsia e esclerose múltipla? Seria um tratamento eficaz ou apenas paliativo para doenças neurodegenerativas, autoimunes ou que já estejam em estado irreversível?

Dr. Allonson – Temos evidências fortes para o CBD como um bom ansiolítico sendo um recurso que podemos utilizar quando bem indicado e esclarecido. Os potenciais ganhos com a introdução da medicação, avaliação do custo beneficio em conjunto com o paciente, no caso de doenças crônicas, é ter o CBD como uma opção terapeutica, uma carta na manga que obtém muitso bons resultados na prática clínica. Vejo que em doenças em estados avançados (terminais) temos que trazer essa discussão para o momento com o paciente e, realmente, avaliar beneficios com a inserção da medicação.

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Foto: Veer

A Repórter – Qual a mensagem que o senhor pode deixar como informação sobre esse assunto?

Dr. Allonson – Gosto de dizer que o Tratamento com Canabinoides é um tratamento onde a gente passa muita autonomia aos pacientes e que eles nos ajudam na condução da posologia, pela segurança que temos sem muitas alterações em sistemas vitais como o sistema cardiorespiratorio, e sem influencias no tronco encefálico. De acordo com a evolução e feedback do paciente vamos adequando a melhor posologia e caminhando sempre em conjunto com esse paciente.

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Foto: Canstock

@drallonsonreis
@portalcannabisesaude
@draisoldadearaujo
@medicina_cfm
@dr.viniciusdemesquita
@ascocancer

Mesmo sendo de fácil entendimento o motivo do uso da medicina endocanabinoide, sugerimos os links abaixo para uma melhor compreensão.

De forma surpreendente, a cannabis medicinal vem sendo redescoberta por pacientes, médicos e empresas. Quais são os benefícios reais dos canabinóides? Por que a cannabis tem sido mais e mais usada em todo mundo para os mais diversos tratamentos? Quais os impactos da indústria canábica na economia? Vale a pena investir no setor? Fique impressionado com os números e com as histórias do filme “Cannabis: o Investimento do Bem”.

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