O Ministério das Mulheres solicitou que o assassinato da artista venezuelana Julieta Hernández seja investigado e reconhecido como um caso de feminicídio. O pedido foi formalizado em uma nota publicada na noite desta quarta-feira (5), em apoio à ação articulada pela União Brasileira de Mulheres (UBM) e os familiares de Julieta.
Julieta Hernández desapareceu no dia 23 de dezembro enquanto viajava de bicicleta pelo Brasil, a caminho de seu país de origem. Ela foi vista pela última vez em Presidente Figueiredo, a 117 quilômetros ao norte de Manaus, no Amazonas. Sua próxima parada seria Rorainópolis, em Roraima.
O corpo da artista foi encontrado no dia 6 de janeiro deste ano, dentro de uma mata. De acordo com as investigações, Julieta foi estuprada, assassinada e teve seu corpo queimado por um casal, que confessou o crime. Os acusados, Thiago Angles da Silva e Deliomara dos Anjos Santos, foram denunciados pelo Ministério Público do Estado do Amazonas pelos crimes de estupro, latrocínio (roubo seguido de morte) e ocultação de cadáver. Agora, a família de Julieta pede a reclassificação dos crimes para feminicídio.
Em nota, o Ministério das Mulheres manifestou seu apoio à ação e afirmou que irá monitorar o andamento das investigações e do julgamento. Para a pasta, “a violência contra Julieta Hernandez apresenta características de um crime misógino e xenófobo, de ódio à artista circense como mulher e como migrante”. O Ministério também reconheceu a preocupação dos familiares e advogados da vítima pela ausência do devido tratamento jurídico ao caso como uma grave violação de direitos humanos das mulheres e dos migrantes.
Na última segunda-feira (4), a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, recebeu Sophia Hernández, irmã de Julieta, o advogado Carlos Nicodemos e o representante da Embaixada da Venezuela Éfren Martin para discutir o assunto. Em um comunicado oficial, o Ministério reafirmou sua crença nas instituições brasileiras para que este e todos os casos de violência contra mulheres não fiquem impunes, defendendo o direito à justiça e à memória.










