Manaus | 4 de junho de 2026 | 10:15:47

Pré-candidatos são maioria apesar de eleitorado feminino ser superior

Mesmo as mulheres sendo a maioria da população (51,1%) e do eleitorado (52,62%) no Brasil, a composição dos filiados a partidos políticos continua majoritariamente masculina, conforme dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na última sexta-feira (21). Dos filiados, 8.493.990 são homens, representando 53,8% do total, enquanto 7.284.431 são mulheres (46,2%).

Embora a diferença entre os filiados por gênero não seja tão significativa, a representatividade efetiva das mulheres na política permanece desproporcional. Nas Eleições Gerais de 2022, por exemplo, 9.891 mulheres se candidataram, mas apenas 311 foram eleitas, correspondendo a 18,2% do total de eleitos.

Estrutura histórica de sub-representação

A sub-representação feminina na política é uma questão estrutural e histórica. Dados do Observatório Nacional da Mulher na Política, elaborado pela Câmara dos Deputados, mostram que a proporção de mulheres eleitas para cargos legislativos estadual, distrital e nacional nunca ultrapassou 18,52%, índice registrado em candidaturas femininas eleitas para o Senado em 2014.

Obstáculos estruturais e culturais

“Mesmo com medidas que determinam a necessidade de financiar candidaturas femininas, os dirigentes partidários, majoritariamente homens, não investem nessas candidaturas. Isso faz com que as candidaturas das mulheres sejam mais frágeis, recebendo menos financiamento,” explica a cientista política, Goulart.

Goulart acrescenta que o machismo estrutural influencia significativamente a relutância de muitas mulheres em seguir carreira política ou participar ativamente na esfera política, uma vez que percebem esse ambiente como predominantemente masculino, o que desestimula o envolvimento. Além disso, o acúmulo de responsabilidades de cuidado, que recai desproporcionalmente sobre as mulheres, resulta em um tempo livre mais escasso comparado aos homens, dificultando sua disponibilidade e dedicação a atividades políticas.

“Candidaturas laranjas”

Outro problema apontado por Goulart é a prática das “candidaturas laranjas”, usadas para desviar dinheiro do fundo eleitoral. “Temos muitas candidatas laranjas ou candidatas fantasmas que entram apenas para preencher a cota mínima de 30% de mulheres ou para desviar recursos, repassando-os para candidaturas masculinas.”

Avanços e perspectivas

Apesar das dificuldades, houve alguns avanços significativos. Nas eleições de 2022, a Câmara dos Deputados elegeu 91 mulheres, representando 17,7% do total de 513 cadeiras, um aumento em relação às 77 deputadas eleitas em 2018. Entre as eleitas, destacam-se as primeiras deputadas trans: Erika Hilton (Psol-SP) e Duda Salabert (PDT-MG).

No Senado, a representação feminina também cresceu, com 14 senadoras. Ainda assim, o Brasil está abaixo da média global de 26,4% de representatividade feminina, ocupando a 146ª posição entre 193 países analisados pela União Interparlamentar.

A história registra pioneiras como Carlota Pereira de Queirós, primeira mulher eleita no Brasil em 1934, e Alzira Soriano, primeira prefeita eleita em 1928. Incentivos para aumentar a participação feminina incluem legislações que destinam pelo menos 30% das candidaturas e dos recursos do Fundo Eleitoral para mulheres. Contudo, a prática das “candidaturas-laranja” e a sub-representação continuam sendo grandes desafios.

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