Manaus | 4 de junho de 2026 | 20:42:52

O Outro é a percepção de um reverso subversivo

O contemporâneo trouxe ferramentas para deixar o mundo avançado e imediato, aproximando ´mundos’ mas distanciando todo tipo de pessoalidade. É possível ser o que se quer apenas com alguns comandos. Uma simulação da simulação. Esquecemos apenas que o universo exterior entra em choque com o interior, e isso incomoda pois a toxicidade da idealização de outrém, perde o sentido.

Acabamos por ver as reversões e o que se constitui em impedimento não é um corpo ou uma palavra, o enunciado em si, é proibitivo. Na condição de um corpo objetivado em circulação, encontramos a dúvida do, já citado, impedimento – um bloqueio – ou seja, um corpo em sua presença real é o obstáculo à palavra.

As conversas hodiernas são pautadas em narrativas que não passam da subjetividade do relator, já que o real valor de um encontro não se consegue descrever. Por outro lado, a existência de imagens e esteriótipos pré-concebidos gera choques e surpresas em ambas as partes, principalmente quando o simulacro se confronta com o espelho.

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Reprodução: Pexels

Muito embora o conceito de diversidade cultural fizesse parte da realidade européia, um alter mundus, era algo inconcebível. Na verdade tudo que limita o real e o imaginário se revela variável, onde o espaço de subjetividades e experiências humanas, do mais coletivamente social ao mais intimamente pessoal; se constrói na curiosidade dos horizontes distantes do espaço e do tempo, logins irreais ou terras desconhecidas. Toda uma angústia que inspira o aprisionamento do Eu em incógnitas inquietantes sobre o Outro, seu futuro e, principalmente, seu presente.

Para quem detém o discurso, o outro não é considerado um sujeito autônomo e suficiente, mas sim como “campo de ação” do horizonte de modelagem de seu real ou superfície, tanto física como simbólica/imaginária, cuja função natural é de ser, com esse viés dialético, um intruso da alteridade frente o contrapeso que delimita o sujeito central e lhe define a identidade.

Se o outro existe é por sua ser fundamental, necessária e indispensável; não para ele mesmo, mas sim para testemunhar, registrar e receber a marca existencial da civilização e seus avanços/retrocessos, disponibilizando características negativas que produzem a sua positividade.

O inóspito e o inexplorado induziram efabulação e criação de mitos traçando paradigmas culturais. Interpretações simbólicas e representações são reconstruídas a partir do momento em que a intersecção do real com o abstrato acontece; a idéia antes pré-concebida é reestruturada após um contato genuíno onde, através de constatações de incômodos, dúvidas são transformadas em novos conceitos e reflexões. Surge, assim, uma crise de consciência pessoal gerada pela dissonância do real com o antes estabelecido, contribuindo para um novo olhar sobre o outro. Nasce um espelho cruel, mas necessário em que pertencimento e reconhecimento entram em combate.

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Reprodução: Unsplash 

O pensar sobre alguém como diferente e como ele irrompe cada um dos agentes do contato é um dos fenômenos mais importantes na organização e absorção das idéias . O outro jamais traz em um olhar não corrompido, sem maldades, muito menos, pureza des juízos. A comparação de pureza nos valores e a contradição de valotres trincam espelhos pessoais, pelo fato de mostrarem outros ângulos de um mesmo universo.

Daninhas são as impressões de superioridade e manipulação visando uma posterior dominação abusiva, cultural, já que a cultura traz em si aspectos de mudança imediata, bem como, graduais. Apenas na possibilidade da leitura do que se perde é que se faz o registro da experiência.

Mas afinal, quem existe dentro de quem?

Seguestão de leitura. Confira abaixo.

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