A Polícia Civil do Rio de Janeiro concluiu que o ex-prefeito de Anamã, Raimundo Pinheiro da Silva, conhecido como Chicó, utilizava um frigorífico de sua propriedade para lavar dinheiro oriundo do tráfico de drogas. Chicó foi um dos alvos na Operação “Rota do Rio” que foi desencadeada na manhã de terça-feira (21) no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pará e Amazonas. Ao todo, 113 mandados de busca e apreensão foram expedidos. O foco da Polícia Civil do RJ é a expansão de uma das mais ativas facções cariocas para outros estados do Brasil, em especial na Região Norte.
Segundo a polícia, a empresa Frigopesca Indústria de Pescado, localizada no município de Manacapuru, interior do Amazonas, era utilizada pelo ex-prefeito para o recebimento de pagamentos feitos pela facção criminosa Comando Vermelho (CV).
Os criminosos faziam o repasse do dinheiro obtido com o tráfico de drogas à empresa com o objetivo de dificultar as investigações.
As investigações, que contaram com o apoio do Comitê de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos (Cifra), apontam que a rota utilizada para o escoamento da droga que sai do Amazonas até o Rio de Janeiro serve, em sentido contrário, para o fluxo de dinheiro do comprador atacadista para o seu fornecedor, evidenciando o grande esquema de fornecimento e pagamento das drogas.
Para escamotear a origem ilícita dos recursos oriundos da compra e venda de drogas, essa organização criminosa realizava pagamentos de forma pulverizada a diversas pessoas interpostas. Entre elas, o frigorífico pertencente ao ex-prefeito.
Segundo a Políca Civil, o esquema teria movimentado cerca de R$ 30 milhões.
Um mandado de busca e apreensão foi cumprido na residência de Raimundo Chicó. No local, os policiais apreenderam dinheiro em espécie e veículos.
No momento da ação policial, o ex-prefeito não se encontrava no endereço. De acordo com a Polícia Civil, o ex-prefeito fugiu para Brasília horas antes do cumprimento do mandado de busca.
A polícia trabalha com a hipótese de que Chicó tenha recebido informações privilegiadas sobre a operação.
Quem é o ex-prefeito de Anamã
Raimundo Pinheiro da Silva, já é um velho conhecido da Justiça. Com um histórico conturbado, ele teve o mandato cassado duas vezes.
Ele foi eleito prefeito de Anamã pela primeira vez nas eleições de 2008. O mandato, no entanto, não chegou ao fim. Em 2011, ele e o vice, Antônio Araújo Coelho, foram cassados após o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) acatar denúncia sobre compra de votos e abuso do poder econômico.
Na época, Chicó teria utilizado duas embarcações para promover o transporte de eleitores, cometendo crime eleitoral, além de realizar a doação de brindes como camisetas, canetas, equipamentos de futebol, em troca de voto.
Cinco anos mais tarde, nas eleições de 2016, Raimundo Chicó foi eleito novamente prefeito de Anamã. Sua segunda passagem pela prefeitura da pequena cidade de quase 14 mil habitantes, porém, durou menos que a primeira.
No fim de 2017, a Justiça impugnou a chapa de Chicó, desta vez em outro partido, após o mandatário ser condenado pela prática de abuso de poder econômico reconhecida em Ação de Impugnação de Mandado Eletivo (AIME).
A condenação o deixou inelegível por oito anos e, por conta disso, ele teve o registro de candidatura indeferido, com base na Lei da Ficha Limpa.
Em 2021, o Pleno do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) multou o ex-prefeito em mais de R$ 1 milhão, considerando multa e alcance.





