Uma liderança indígena do povo Kumaruara, do Baixo Tapajós, esfregou urucum no rosto de participantes durante o Seminário Técnico sobre a Ferrogrão no âmbito do Grupo de Trabalho do Ministério dos Transportes, em Santarém, no Pará, que está tratando sobre a viabilidade dos aspectos socioambientais da ferrovia Ferrogrão. O evento aconteceu na terça-feira (7), na Universidade do Oeste do Pará, e o ato teria sido um protesto contra a construção da estrutura, que se estenderá do estado do Mato Grosso ao Pará.
A ferrovia tem sido objeto de intensos debates e estudos integrados ao Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), sendo uma iniciativa apoiada pelo governo Lula (PT) e vista como um símbolo da atual administração.
Os objetivos do seminário incluem debates sobre os impactos da ferrovia e o direito à consulta livre para as comunidades tradicionais afetadas pelo empreendimento.
Um vídeo do protesto foi compartilhado nas redes sociais por indígenas Kumaruaras e pelo Conselho Indígena do Território Kumaruara. De acordo com a postagem, o gesto enérgico de aplicar a tinta de urucum nos rostos dos participantes não indígenas foi um manifesto de “oposição firme” à Ferrogrão, considerada um “plano de extermínio”. O indígena responsável por esse ato foi identificado como Naldo Kumaruara, líder espiritual da aldeia Muruary.
Em nota, o Ministério dos Transportes, responsável pelo seminário, disse que o evento contou com a participação de comunidades e entidades envolvidas no projeto da ferrovia. “Todos tiveram direito a fala, exposições individuais e de se manifestar, como comprova o vídeo amplamente divulgado nas redes sociais”, afirmou a pasta.
Em março deste ano, o cacique Raoni pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que não aprove o projeto de construção da Ferrogrão.
Com 933 quilômetros de extensão, a ferrovia Ferrogrão deve ligar Sinop, em Mato Grosso, ao porto paraense de Miritituba. O projeto é defendido por setores do agronegócio como uma alternativa à rodovia BR-163, principal via de escoamento do agro no Centro-Oeste.
Um grupo de indígenas da aldeia Muruary, do Baixo Tapajós, realizaram um protesto nesta terça-feira, 07, durante a realização do seminário sobre a construção da ferrovia EF-170, a Ferrogrão. O evento ocorreu no município de Santarém, no baixo amazonas. pic.twitter.com/xyHlfAIvYX
— Portal Roma News (@RomaNewsOficial) May 7, 2024






