Manaus | 4 de junho de 2026 | 20:40:09

‘Pai Marcos’ é suspeito de abuso sexual contra usuárias de drogas e crianças

Cid Marcos

O delegado titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Marcelo Martins, deu detalhes da ‘Operação O Pai Tá Off’, realizada terça-feira (7), que desarticulou a organização criminosa que se passava por uma Organização Não Governamental (ONG). Segundo o delegado, Marcos, que seria o presidente da ONG, se aproveitava das pessoas em vulnerabilidade social para obter vantagens e praticar outros crimes. Entre os relatos e depoimentos das próprias vítimas, houve denúncia de que Cid Marcos também cometeu abusos sexuais contra mulheres e crianças.

Cid Marcos Bastos Reis Maia, de 49 anos, conhecido como ‘Pai Marcos’, que comandava a ONG denominada ‘Pai Resgatando Vidas’, é suspeito de desviar mais de R$20 milhões da instituição.

Segundo o delegado, durante as buscas e apreensões em Manaus e Iranduba, cidades onde a instituição tinha sedes, foi encontrada uma grande quantidade de preservativos. Há relatos ainda de testemunhas que, segundo a polícia, disseram que Cid Marcos dormia com crianças em um quarto dentro do abrigo.

“Nos deparamos com a situação que eu achei a mais degradante possível, dentre várias, foi o fato de o Cid Marcos, conforme os depoimentos dos autos, ele mantinha relação sexual com as usuárias, com as adictas que estavam sendo atendidas pelo projeto, em troca de kit de higiene, em troca de um prato de comida, um teto”, disse o delegado.

Outra prática ilícita praticada por Cid Marcos seria a forma como ele usava as redes sociais para fazer ‘lives’ e apresentar aos internautas, a história de pessoas em situação de rua e usuários de drogas, que ele dizia ajudar através do projeto Pai Resgatando Vidas. Essa exposição, segundo a polícia, configurou o crime de maus-tratos, uma vez que as pessoas em vulnerabilidade social não tinham condições de determinar a autorização do uso de suas imagens.

“Depoimentos que nós colhemos de pessoas que eram funcionárias do projeto disseram que ele procurava as imagens mais chocantes possíveis para poder obter mais engajamento em redes sociais, obter maior lucro e receber mais doações. Então, era uma estratégia proposital mostrar a pessoa ali no pior estado de degradação possível”, disse o delegado.

As investigações apontam que a suposta ONG se tratava mesmo de uma organização criminosa familiar, liderada por Cid Marcos e seus próprios familiares. Entre 2019 e 2024, o grupo desviou mais de R$ 20 milhões em doações que deveriam ser revertidas às pessoas atendidas pela instituição, mas esses recursos eram desviados para benefício próprio.

O delegado afirma que Cid Marcos conseguia doações de vários estados brasileiros e até do exterior, que através das redes sociais do projeto realizavam as doações. A polícia investigou os depósitos bancários que a instituição recebia, e encontrou doações vindas de pelo menos 15 estados brasileiros e de diversos países que, inclusive, faziam doações em euros.

A operação policial durou cerca de seis meses e resultou em oito mandados de prisão preventiva e duas prisões, de Cid Marcos e do filho dele, Wilson Garcia Bastos. Os outros supostos integrantes da organização criminosa estão sendo procurados pela polícia.

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